ATENÇÃO: esse post possui spoilers sobre The Walking Dead, tanto a série de televisão quanto a Revista em Quadrinhos, se você valoriza esse tipo de inovação, receio que o conteúdo aqui dissertado vá estragar sua diversão, leia por sua própria e risco.
Esta é mais uma colaboração do Sir Roberto @Synthzoid Maia, que é um dos autores do blog NerDevils.
Quando os roteiristas da adaptação seriada de The Walking Dead decidiram que o Shane iria sobreviver além do arco que corresponde ao primeiro volume da história em quadrinhos, eu fiquei contente ao imaginar como ele seria melhor aproveitado na trama, principalmente em sua dinâmica com os outros personagens e o desenvolvimento de sua personalidade.

É interessante saber que a série divergiu bastante das prioridades de seu roteiro original, a mudança envolvendo o destino de Shane desenvolveu uma espécie de vácuo no final da primeira temporada, o que desagradou alguns fãs da série.
Quase um ano depois, a segunda temporada foi recebida de braços abertos por todos os espectadores, entusiastas e curiosos de plantão, os episódios seguintes provaram ser um verdadeiro balde d’ agua nos ânimos da audiência. A trama se dividiu em três alicerces: 1) o desaparecimento de Sophia após um ataque zumbi 2) o conflito de perspectivas entre Rick Grimes e Hershell 3) A Gravidez de Lori e as consequências no triangulo amoroso envolvendo Rick, Lori…e Shane.
Shane se tornou um personagem expansivo, uma espécie de ruído nas relações do grupo e ainda assim, central, seu segundo foco de atrito foi em interferir na relação entre Andrea e Dale, criando um sério antagonismo com esse último.
Outra crítica em relação até a metade da segunda temporada foi sobre o clima “lento” em que a trama se encontrava, pouco avanços em uma período de tempo que nas histórias em quadrinhos correspondeu por cinco edições no máximo.

O último capítulo do “mid-season” terminou com a resolução da crise do “celeiro de zumbis” de Hershell, novamente Shane, após argumentar com Lori que o mundo de The Walking Dead não era um mundo para Rick Grimes, arma todos os sobreviventes e juntos partem para arrombar a porta do celeiro e eliminar todos os zumbis dentro.
Em uma cena apoteótica, Shane organiza uma fileira de fuzilamento, com direito a recursos “dramáticos” como câmera lenta e fixação estética por escopetas, e no fim, o que era esperado por todos acontece: Sophia sai por último do celeiro, zumbificada.
E então, Rick Grimes, que acompanhou de olhos impressionados, todo o desenvolver do evento, aquele Rick Grimes que Shane argumentou não ser capaz de viver no mundo do The Walking Dead, toma a dianteira e executa Sophia com um tiro na cabeça.
Este foi um episódio assistido por 6 milhões de pessoas em sua data de exibição, um provável recorde de audiência pra AMC, que não via algo parecido desde a première da série no início de 2010.
Acompanhando as redes sociais, muitos ovacionaram o episódio, considerando-o “bom” por quebrar a lentidão da trama. Porém existem algumas considerações.
Existe um aspecto apelativo nos últimos dez minutos do episódio, todo o tiroteio e matança aparentaram inapropriados, contrários aos próprios princípios do roteiro.
três pontos: 1) economia de munição é uma preocupação constante do grupo, qual ganho visível em aniquilar todos os zumbis do celeiro? usando armas de calibre superior e contanto com a ajuda de pessoas não versadas com armas de fogo (como o Glenn), existe toda uma questão de desperdício e sensatez, sem contar que faltou alternativas para lidar com a situação (ninguém pensou em incendiar o celeiro?)
2) Daryl provou em suas buscas que as matas ao redor da fazenda de Hershell estão infestadas de zumbis, se silêncio e contato próximos eram vitais para a sobrevivência do grupo, as consequências desse massacre ainda estão por vir, existe um risco de alarmar todos os errantes da região.
E o mais peculiar, 3) a própria linha do tempo de acontecimentos aparenta estar um pouco vaga, como Sophia foi parar tão rapidamente no “celeiro de zumbis” de Hershell? Recapitulando os acontecimentos, toda a trama se estende por um pouco menos de uma semana, e finalizando meus pensamentos, porque Hershell foi tão omisso em relação ao assunto?


Se isto são falhas de roteiro ou consequências vindouras, só saberemos após o termino do hiato, em 12 de Fevereiro do ano que vem, data que coincide com a realização da IMAGE EXPO, pela Image Comics, a editora responsável pela série em HQ!
Não se deixe levar pelo tom inquisitivo deste post, The Walking Dead é uma boa série, como não víamos a uma década, e como toda série, tem momentos altos e baixos, toda a situação é necessária, para a trama, para os produtores, investidores e o diálogo com o próprio público.
E lembrem-se! Este último episódio foi um “Mid-season”, metade da temporada se passou, se tudo correr bem, ainda têm sete episódios pela frente para alcançar um desfecho coeso e satisfatório, ficam aqui minhas expectativas.
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