Mais uma colaboração do Vitor, confira mais resenhas dele em o Mestre das Resenhas.
Apocalipse zumbi e YA são duas coisas que, logo de cara, você não imaginaria juntas. Mas, mesmo apesar dessa categoria jovem, devo dizer que essa combinação até que funcionou para A Floresta de Mãos e Dentes. A autora consegue, mesmo que com alguns problemas que incomodam um tanto – vou citá-los separadamente abaixo -, nos transportar para um mundo circundado por morte e sem esperança, onde tudo é mórbido e sombrio.
Olhando ao redor, percebo que saí numa pequena clareira distante da aldeia, protegida por um anel de cerca com o dobro da minha altura. Os Esconjurados estão começando a se juntar ao meu redor num enxame. Dois passos em qualquer direção e eles podem me alcançar pelos elos de metal. O sangue martela meu corpo, o pânico obscurece minha visão, minhas mãos tremem e latejam violentamente com o ritmo do meu coração.
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A história é sobre Mary, uma jovem que vive numa aldeia temente à Deus e cega pela ignorância após a praga da infecção zumbi ter assolado o mundo. A aldeia é cercada por grades de metal que protegem seus habitantes dos Esconjurados – como a aldeia chama os zumbis – que vivem todos numa floresta densa e misteriosa que ninguém jamais ousou cruzar. Alguns contam histórias sobre o que há além daquelas árvores e, um desses “alguns” é a mãe de Mary, que passa todas as suas esperanças de um local intocado pela praga para sua filha. E, por isso, Mary é um jovem sonhadora, que vive contando histórias para todos sobre o oceano, que ela diz ser um lugar intocado por tudo aquilo que os apavora.

Essa sociedade pós-apocalíptica tem como “líderes” as Irmãs, que mexem com as cabeças de todos os aldeões, falando sobre Deus e como os que viviam antes do Retorno o irritaram. Elas comandam também os guardiões, uma espécie de guardas que vigiam as redondezas e cuidam para que nada saia do controle – além de garantir a ordem se algo sair dos trilhos. As pessoas não sonham, como Mary, e continuam a sobreviver, normalmente, como se nunca pudesse existir – ou ter existido – algo além daquilo que eles chamam de vida.
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