Resenhando: Sangue Quente
14 jan
Literaturicamente falando, 2013 começou comigo terminando de ler Jogador Nº 1 e iniciando a leitura de Sangue Quente, de Isaac Marion. Livro este que ganhei da minha linda CatieleP. Posso considerar isso um bom início de ano, já que minha lista de leituras pendentes para 2013 é extensa.
Isaac Marion é um americano boa pinta, nascido em 81, que, além de escritor, também é fotógrafo. Sangue Quente é seu primeiro romance conhecido, já que ele tem mais três auto-publicados. Atualmente ele divide seu tempo entre escrever, tocar músicas alternativas porém relativamente ouvíveis e viajar os EUA dirigindo uma picape GMC 1977.
Ouvi falar do livro pela primeira vez, não lembro se foi no podcast do Pipoca e Nanquim ou do MRG, há um bom tempo atrás. Fui convencido pelos caras a respeito do material e resolvi dar uma chance. Tinha planejado pegar ele de grátis na Livraria Cultura mas ganhei-o de presente antes. Vida dura essa.
O livro foi publicado pela Editora LeYa, a mesma que está publicando As Crônicas de Gelo e Fogo e a arte da capa é a mesma da edição americana. A diferença é no excerto escrito na parte de cima. Em ambas as versões, o trecho é de autoria de Stephanie Mayer, que escreveu a saga Crepúsculo. Pois é. Não sei como funciona a escolha desses textos, se é a pessoa que dá uma entrevista inteira e a editora retira um pedaço pra colocar na capa, ou se é um parágrafo isolado, de qualquer maneira, o trecho da edição brasileira é inferior à edição americana. Isso, inicialmente, encomodou-me e até prejudicou um pouco a forma com que eu vi a obra. Como eu disse, inicialmente, mas isso só porque eu sou um chato preocupo-me muito com esses pequenos detalhes. Ao final da leitura do livro minha percepção mudou em relação referido texto, mas chegaremos lá.
Ao iniciarmos o livro, somos transportados para dentro da mente de R, o protagonista da história. Assim como em Jogador Nº1, a narrativa de Sangue Quente é em primeira pessoa, ou seja, o narrador é o próprio protagonista. Esse não é o meu estilo de leitura favorita, porém, se for bem executado, a história pode seguir uma linha de pensamentos que seria impossível caso o autor decidisse usar o narrador em terceira pessoa.
R não sabe quem é, de onde vem, ou pra onde vai. Sabe apenas que é um morto-vivo e que por sua aparência, não deve fazer muito tempo que foi convertido, termo que ele prefere usar. M é o melhor amigo de R, eles conseguem conversar por meio de grunhidos e umas poucas palavras isoladas, R até vangloria-se que seu recorde é de três palavras em sequência. Porém algo muda em R quando ele encontra loirinha galeto chamada Julie e ao invés de devorá-la, ele a salva e a mantém viva.
Acho que a história é inovadora porque tem como foco o ponto de vista de um zumbi em específico e sua percepção do mundo agora arrasado pela praga, diferenciando-se de outros livros onde os protagonistas são os sobreviventes. Outra abordagem que achei muito interessante é a maneira como os Mortos agem, como eles vivem, convivendo em um tipo de sociedade primitiva, saindo em bando para caçar os Vivos e retornando, após a matança, para a colméia.
Marion quebra uma série de paradigmas ao explicar a motivação dos não-mortos, o porquê da fome por carne humana e o desejo por cérebro fresco. Ele nos apresenta zumbis que “pensam”, mesmo que na maioria das vezes ajam por puro instinto, com algumas poucas exceções. E são essas exceções e o que elas significam na história que prendem o leitor ao livro, fazendo-o querer saber mais e mais.
Sangue Quente tem uma leitura fácil e rápida, entretanto há um certo apelo simbólico e filosófico sobre o ciclo da vida, a busca pela redenção e o poder do amor, que é algo piegas, mas que funciona perfeitamente bem no contexto do livro. Outra coisa que conta positivamente e que eu não via a muuuito tempo: o livro tem ilustrações! Há uma dose sutil de humor, momentos bem tensos e algumas cenas de ação que gostei bastante.
Li todo ele em uma semana, o que é razoavelmente rápido para mim e no final, a afirmação da Srª Mayer: “Nunca pensei que poderia gostar tão apaixonadamente de um zumbi. Fiquei pensando na história muito tempo depois de acabar de ler o livro”, não me pareceu tão ruim, tá certo que é um exagero gostar “apaixonadamente”, porém, sem dúvida alguma, o livro faz pensar e lança um manto de inovação e criatividade ao estilo.
O livro Sangue Quente, de Isaac Marion pode não ser uma obra prima do gênero, mas com certeza irá agradar aos fãs de mortos-vivos. É um livro gostoso de se ler, não é cansativo e eu recomendo sem dúvida alguma. E quem disser que Sangue Quente é um Crepúsculo com zumbis é porque não passa de um imbecil que gosta de dar a ré no quiabo e não tem opinião própria. Morra com suas botas, seu mexilhão imundo.

NOTA FINAL: 3.8 Ciborgues Zumbis.
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