Cinemando: O Ômi de Aço (Homem de Aço/Man of Steel 2013)

Venho aqui com a difícil missão de falar de um filme que todo mundo gostou, mas que eu achei uma bosta. As resenhas aqui expressam nossas opiniões individuais, então ofendam a minha mãe em particular. Já vou dizendo logo de cara que uma das coisas que mais detesto em filmes são erros bobos de roteiro e que eu sou mala com isso. Leia por conta própria!

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Eu tinha grandes expectativas com o Superman, parte por ser interpretado pelo gostosão do Henry Cavill, parte pelo grande esforço, dinheiro, gênios, dinheiro, equipe, mídia, dinheiro, tempo, dinheiro e dinheiro empregados no filme e pela quantidade de babação de ovo que recebeu da pelega crítica americana; e acabei saindo do cinema com aquela sensação estranha de ter dormido em algumas partes muito importantes e ter perdido a história inteira. E nem estou falando pela critica mais comum de Superômi ter ficado Berserk e matado o Zod.

Ops.

AHHHHH É GALERA O POST TEM SPOILERS!

Tá que todos já sabemos a história do Cuequinha Vermelha. Blablabla alien bonzinho de Krypton. Mas o filme força a história, consegue ao mesmo tempo hiperexplicar e deixar trilhões de pontas soltas.
Jor-el deixa de ser o cabeção glamouroso de Marlon Brando e passa a ser um pentelho que aparece o filme inteiro explicando tudo, em todos os momentos, mais onipresente que o Unicórnio Rosa Invisível, sabendo tudo, de todos, sabendo a cor da calcinha da Lois. Em vez de aproveitar das (muitas, muitas mesmo, e muito extensas) cenas de ação para fazer o espectador entender a trama, O Homem de Aço divide muito bem “agora é a hora da aula, agora é a hora do recreio”. Há palestras didáticas de Jor-el sobre uma Krypton que quase ocupa mais espaço que a Terra no longa.

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A atuação de Henry Bonitão Cavill se resume a repetir as sílabas Ahhhh, Dblaaah, Bléeeergh, Zod e Lois repetidamente ao longo do filme. Reconheço o esforço homérico da direção em evidenciar o físico escultural de Cavill em detrimento de sua atuação, reconheço por The Tudors e Imortals que ele não é lá um Ás da interpretação, mas me parece que Superman tem menos falas que todos no filme e poderia ser facilmente interpretado por um dinossauro de plástico. Mas um dinossauro muito gostoso.

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Um dos pontos que eu mais esperava ver na telona era a família humana de Clark. Acabei vendo um Jonathan Kent (Kevin Costner) que ensinou o filho a apanhar quieto e a deixar qualquer um, até seu próprio pai, se fuder para manter seu grande segredo. A criação do Superman não apresentou os valores de compaixão, amor ao próximo, justiça e coragem. Se focou em destacar como é ruim ser o fodão das galáxias e na autopreservação, nada que reflita nele um herói. A atuação de Costner também foi fraca, uma pena, visto que em seu trabalho anterior – a série Hatfields and Mccoys – ele comeu cus interpretativos!

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Capeta Anse Hatfield seria um pai humano melhor para Kal-el

Amy Adams manda bem como Lane, mas a história do envolvimento dela com o Cuequinha é algo mais raso que Alexandre Pires . Eles se encontram do nada, ele a salva de uma hemorragia interna causada por um laser fritando sua barriga com sua visão de calor (???????????????), eles talvez quem sabe se apaixonam e ela, a repórter investigativa intrépida que descobriu que resposta para a pergunta ‘estamos sozinhos no universo’ é um colossal não, resolve deixar a história pra lá.

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acho que ela tem uma carinha de burra demais para ser uma grande jornalista investigativa, mas é a Srta. Lane mais gostosa que Superman já viu

 

O casal ficou extremamente superficial, Lois é uma repórter mequetrefe que é autorizada pelo Governo, Exército, Marinha, Aeronáutica e seja qual for a entidade que lida com casos alienígenas no EUA – todos representados no longa por um só homem, o saudoso Elliot Stabler de Law and Order, que acumula mais cargos que Jack Bauer junto ao Governo Americano – a estar em todos os maiores cenários de combates que o planeta já viu.

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O cara tá em todas e mal se dão ao trabalho de falar o nome dele no longa. 

Os outros humanos são incrivelmente mal aproveitados. Tanto Lois, quanto a família Kent, quanto os demais personagens não-Kryptonianos são fracamente desenvolvidos. Você fica com aquela sensação de que MUITA coisa foi cortada do filme para priorizar as cenas de ação.

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50% da população de Metrópolis está nesta imagem.

Mas, se tenho que elogiar algo são as cenas de porradaria massavéio. Toda a 2ª parte do filme é caracterizada por uma destruição tão monumental que faria qualquer monstro do Power Rangers se sentir envergonhado pelo péssimo trabalho em foder Alameda dos Anjos. Tudo IXPRODI. Tudo solta faísca e quebra. As cenas foram muito bem feitas e te dão a impressão de estar assistindo Godzilla + Cloverfield putos brincando por Manhattan.

Outro elogio é Zod! A atuação dele carrega o filme nas costas, General Zod acaba se tornando o Superman de Krypton no que tange amor a sua terra natal e a necessidade de salvá-la. Em vários momentos do longa me peguei torcendo por ele. Michael Shannon nasceu para interpretar fodões maus que destroem mundos mas que tem fortes motivações…

Michael Shannon as General Zod in Man Of Steel

Numa cena Zod e Superômi levam a porradaria até a estratosfera, batem em um satélite e conseguem voltar ao exato ponto onde estavam brigando na Terra! É muita pontaria!! E em nenhum momento, Super Homem nosso herói salvador blablabla liga para Metrópolis ser reduzida a pó. Em sua batalha contra Zod não para em momento algum para tentar evitar a morte de humanos. Na verdade ele usa prédios cheios de humanos pra bater no vilão…

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Se bem que os cidadãos também não estão ligando muito para isso. Descobrimos que existem aliens entre nós e nenhum choque na população. Um ET doidão com cara de Maníaco do Parque aparece na TV, diz que vai tocar o terror e matar geral e a população não pira o cabeção. A cidade sendo destruída em escala megalítica e as pessoas parando na rua para olhar, outras até ocupando os prédios e trabalhando ao lado da destruição na moral, numa tranquilidade. Uma repórter e um recém descoberto ET vem sugerir fazer uma guerra interplanetária e criar um buraco negro pra sugar as naves que Zod tirou do toba e Stabler, o Soldado-Severino pau pra toda obra, diz ‘ok champz, vai lá’.

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enquanto isso, próximo ao local, há cenas de cidadãos honestos trabalhando DE BOA

… São tantos furos, TANTOS! Lois se materializa nos lugares, metade dos poucos personagens não falam, pessoas que nunca viram uma nave alienígena na vida e muito menos ouviram um peido sobre Krypton sabem o que é um terraformador e que ele está transformando a Terra em Krypton, o Planeta Diário e destruído e duas semanas depois o cara aparece pra trabalhar lá na moral. O filme é bonito e tem muita ação, é um filme divertido, mas tá todo errado.

Não fico tão decepcionada desde Matrix Revolutions.

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Ganha 2,5 Ciborgues Zumbis (de 5) porque o filme é bonito, tudo explode, o Cavill é uma delícia e eu pago pau pro Stabler.

Superman is a Dick

Semana passada, nossa chefe @barangurte falou sobre as expectativas acerca do novo filme do Super Homem. Como eu conheço muito pouco da história do garoto de Pequenópolis (pelos menos, dos quadrinhos), não tenho uma visão muito clara do que espero para este filme. Só acho que a Warner Bros. vai ocultar a verdadeira face do Homem de Aço, aquela que Didi tentou desmascarar, mas ninguém prestou atenção por se imaginar que ele era apenas um humorista nonsense:

 

Sim, piadas que não cabem nos dias de hoje. E nem no passado. Felizmente, o Superman is a Dick é dedicada a acabar com essa grande mentira, a de que o Superman é apenas mais um nice guy.

Isso aí, Super. Você é o cara.

Isso aí, Super. Você é o cara.

Clark, vamos jogar um basquetinho? ... Ei, carai!?!?!

Clark, vamos jogar um basquetinho? … Ei, carai!?!?!

Batman com preparo derrota qualquer um. Só quando não.

Batman com preparo derrota qualquer um. Só quando não.

 

O que é melhor do que quadrinhos com aquela bela mostra de machismo?

O que é melhor do que quadrinhos com aquela bela mostra de machismo?

Um gentleman.

Um gentleman.

Valeu, Clark. Você é muito camarada.

Valeu, Clark. Você é muito camarada.

Um resumo de quem é este crápula.

Um resumo de quem é este crápula.

 

 

 

 

As mães Mais BadAsses da Ficção (e a pior mãe também)

Estou empolgada com a história dos Top Fodas. Depois de Os Maiores BadAsses da História parte macho e parte fêmea, agora vem a parte mãe!

Eu ia fazer um post sobre as mães mais fodas da história da humanidade. Mas daí ia ter que falar da minha mãe, que além de me parir e me aguentar por quase 25 anos em sua casa, sem nenhuma projeção de me mudar, ainda faz bolos muito bons. TE AMO MÃE (que agraciadamente não verá essa homenagem, visto que não sabe da existência desse blog e felizmente não verá posts como esse).

Logo, fiz da ficção mesmo. E EITA EMPREITADA DIFÍCIL! Não sei se vocês notaram, mas quase todo mundo das telonas, telinhas, gibis e afins é órfão. Quando não é órfão, só aparecem os pés da mãe deles, com vagas referências. Herói nenhum tem mãe, porra?

Descontrolei. Vamos à minhas escolhidas!

May Parker

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Mãe não é quem dá a luz, é quem ama como só uma mãe sabe fazer (pra quem não sabe, abomino a ideia de ficar grávida, acho brega e desnecessário ter um alien se alimentando dos seus fluidos e defecando dentro de você, e pretendo num futuro distante adotar duas meninas, Natrilapa e Plavalaguna, e um pequeno vietnamita que se chamará Hunter).

Me perdi de novo né…

Embora tecnicamente seja uma tia badass, essa senhora é a melhor tutora que um herói poderia ter! May é uma senhora frágil, extremamente dedicada e amorosa com o seu sobrinho e lembra muito minha vó, que hoje habita o céu das vós, onde todo mundo come o quanto elas quiserem, as tv’s mudam de canal sozinhas e tem chá, bolinho de chuva e abraços o tempo todo.

Peter Parker é um dos heróis com maior retidão de caráter dentre as HQs. Ele é humano e tem seus desvios, mas a criação de Tia May fez com que o certo, o errado e a responsabilidade tenham limites muito bem definidos na cabeça do aranhudo, que já se meteu em poucas e boas pra salvar essa senhorinha.

Tia May também merece o prêmio de MÃE GLADIADORA IMORTAL, pois já passava do Cabo da Boa Esperança no volume #1 de Homem-Aranha e ainda não morreu!

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Na verdade, tá bem viva até demais.

Chi-Chi

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Ser mulher e mãe de de sayajin deve ser foda. O primeiro desafio da princesa Chi-chi deve ter sido convencer Goku a reproduzir. Primeiro que o cara nunca estava disponível e poderia ganhar o prêmio de marido menos presente do mundo. Segundo que, mesmo depois de adulto, Goku ainda possuía pureza de coração suficiente para andar na nuvem voadora pra cima e pra baixo.

Aposto que Chi-chi dopou Goku para fazer Gohan e Goten, e fez todo o serviço sozinha!

Seu primogênito, Son Gohan, é o único do Universo DGB que pegou em um livro na vida. O único que tem um trabalho de verdade e não é sustentado pela mulher ou vive de ar. Toda vez que Gohan queria ajudar Goku no seu combate contra as forças do mal, Chi-chi tinha um siricutico e mandava o menino estudar, sendo assim a única mãe da região que via problema em seu filho se expor ao risco de ser trucidado ou virar um cara cabeludo que se mete em encrenca pela cidade a fora.

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Já Goten ela criou sozinha! Imagina você criando uma criança com poderes divinos e ainda ter que sustentar a família? Goku é um grande herói e um grande guerreiro, [polemic mode=”on”] mas como pai ele é meio merda [polemic mode=”off”].

Como se não bastasse, ela ainda enfrenta o Majin Boo.

Rosemary Woodhouse

O que você faz ao saber que seu filho é o anticristo? Joga ele na privada, tosta ele no George Foreman Grill ou utiliza-o como uma piñata parecem-me opções bastante interessantes. Rosemary aposta o destino de toda a humanidade para proteger seu rebento, sendo o ícone do instinto maternal.

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Tudo referente ao bebê de Rosemary é envolto numa atmosfera diabólica e, embora a criança em si não apareça no longa pode-se inferir que é a coisa mais feia do mundo, sem dúvida alguma que trará somente o mau e o caos. Mas a senhora Woodhouse não está nem aí: é seu bebê e ela chega ao limite da sanidade, faz o que for preciso para ele sobreviver.

Rosemary é igual a sua mãe: não importa o quão bosta você seja e o quanto você possa cagar na sociedade, ela te ama e te acha lindo!

Martha Kent

Você já cuidou de uma criança de 5 anos? Elas são insuportáveis! Elas caem o tempo todo, elas não te ouvem, elas rabiscam as coisas, querem pegar tudo, choram e gritam frente a qualquer ‘não’ e batem a cabeça nas quinas. Agora imagina criar uma criança de 5 anos que pode congelar pessoas com um assoprão ou fritar o planeta com sua visão de raio laser?

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Ignorando o fato de que uma nave espacial acabou de cair no seu quintal, que dentro dela tem um bebê que pode ser radioativo ou canibal e que não se pode pegar qualquer criança e dizer que é seu filho, Martha adota o Superman – e ninguém acha estranho, provando que o tráfico de crianças é algo comum em Pequenópolis.

Ela molda o caráter do herói a ponto de torna-lo o homem mais bunda mole que não faz mal a uma barata do mundo. O Superômi faria sarapatel do resto da Liga da Justiça com um arroto se quisesse, mas graças à senhora Kent ele não quer fazer isso e prefere ser inexplicavelmente altruísta, bonzinho e respeitador.

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Martha Kent é a razão porque Superman virou o ícone dos heróis e o Capitão Marvel, que tem os poderes chupados pela Marvel, não fez sucesso nenhum.

Sarah Connor

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Minha ídola! Minha musa inspiradora! A mulher mais foda que já habitou esse planeta. Tá, eu sei, ela não habitou… Mas deveria ter habitado. Sério, desde minha fase fetal eu admiro essa mulher, além de ser uma das poucas heroínas de ação que presta ainda é um dos retratos mais fiel de mãe já feito!

REAL!??!?!?!!? Você me diz.

Imagine que um robô aparecesse na sua casa e dissesse pra sua mãe que ia te matar…

Eu tenho dó do robô.

No início, Sarah é representada como uma mulher frágil, sem nenhum preparo para o combate. Ela podia muito bem deixar Reese se fuder pra fazer seja lá o que for contra o robô e, quando obÓviamente ele fracassasse, ficar em posição fetal chorando e chupando o dedão aguardando uma morte certa – como todos nós ficaríamos, não banque o herói pra cima de mim!

Mas Sarah não! A franguinha mata sozinha o Schwarzenegger com as próprias mãos uma prensa gigante! O que a impele? O amor a um filho que ela nem teve ainda!

Conheceu – em um cara que nem tinha nascido ainda – o amor da sua vida e engravidou horas antes dele morrer, o que a torna na mãe mais solteira do mundo todo. Teve que matar o Arnold Schwarzenegger e foi curar seus traumas treinando seu pimpolho para ser uma máquina de matar, e ela acabou virando o Rambo no processo.

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Linda Hamilton: tá pra nascer uma mulher que fique tão bem segurando uma 12!

Após isso, resolve ela mesma poupar seu filho – e consequentemente a humanidade – de um triste fim lutando contra as máquinas e tenta resolver a parada com as próprias mãos, se fodam os ajudantes do futuro! Se foda a policia! Se foda todo mundo que passar pelo seu caminho! Não, você não vai voltar porra nenhuma, Arnold!!!!!

E pra mim ela consegue, visto que descarto totalmente a existência das sequencias 3 e 4. Jonathan Mostow, ainda temos contas a acertar por Terminator 3. Eu nunca vou te perdoar por isso!

Pior mãe

Kate – Esqueceram de Mim

Ela é a culpada pelo que Macaulay Culkin é hoje! Esta hedionda mulher esqueceu tantas vezes seu rebento em casa, ou na rua, ou no aeroporto… Em Esqueceram de Mim, essa energúmena consegue esquecer uma criança de 8 anos sozinha em casa, a mercê de assaltantes. Não podemos acompanhar como foi a educação de Kevin (Culkin), mas pelo nível de artimanhas que ele fez para salvar sua pele tenho certeza que ele foi criado para ser um perfeito maníaco-psicopata-homicida.

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Já em Esqueceram de Mim 2 – Perdido em Nova York, ela larga o pequeno pra congelar e ter seu ânus deflorado por mendigos canibais em NY. Temos ainda sequencia 3 e 4, mas são filmes tão ruins que nem vou mencionar aqui, provando que Hollywood acha normalzéx esquecer das QUIANÇA TUDO.

Lembro que adorava assistir esses filmes quando pequetita, mas minha mãe ficava indignada com a negligência da mãe do moleque!

 

Bom corja de malfeitores, terminamos mais uma lista no ZB! O que acharam? Quem merece uma menção honrosa? Qual será a próxima lista? Você lembrou de comprar o presente da sua mãe?

Cinemando: The Dark Knight Rises

Depois de muitas e muitas resenhas sobre Batman nos blogs por aí, chegou a nossa vez! Assisti o filme nesta terça-feira, mas só agora, depois de assistir Globo Rural e criadores de mel em Pernambuco, eu tenho tempo e disposição pra resenhar. E, caso você seja maluco o bastante pra não ter ido ao cinema depois desse tempo todo, falaremos primeiro do filme sem dar os spoilers. Depois, farei uns comentários sobre o que aconteceu no filme.

Acho pouco produtivo gastar tempo e neurônios comparando este filme a The Dark Knight.  Christopher Nolan sabe disso. O segundo filme de sua franquia do morcego é um dos mais assistidos de todos os tempos e ganhou repercussão entre os críticos e público de maneira nunca antes imaginada. É sua obra prima (apesar de já ter Amnésia no currículo, outro espetacular filme). O Vigilante de Gotham chegou a um nível tão impressionante que seria difícil fazer algo depois daquilo sem parecer ridículo. Mais ou menos como os gênios dos quadrinhos Frank Miller e Alan Moore, que deixaram obras referenciais para muitos personagens, Nolan usou Batman Begins para estabelecer um novo formato, uma nova identidade visual e “auditiva” para o Homem-Morcego nos cinemas. Ao mostrar o longo e complexo caminho que levou Bruce Wayne a vestir  sua armadura de fibra de carbono e tocar o terror nos bandidos da cidade, algo novo e sólido estava sendo construído. Respeito aqueles que gostam de filmes anteriores, em especial os de Tim Burton. Entretanto, eles não são de meu agrado e Nolan fez de tudo para afastar seu Batman daqueles dos anos 80 e 90.

Agora, com um caminho preparado para coisas maiores, veio The Dark Knight. O nome emprestado da obra de Frank Miller ao menos honra a mais famosa e venerada obra de toda a longa história de Bruce Wayne. Como tinha que acontecer, o vilão desta vez é Coringa, o anti-Batman. A atuação lendária de Heath Ledger e as sequências sagazes amarradas num grande roteiro fizeram “quase” uma obra definitiva para o personagem nos cinemas. Afinal, o que pode ser mais grandioso que isso?

Por muito tempo, fãs especulavam qual seria o vilão de um terceiro filme.O longa em si nem havia sido anunciado e muitos já tinham um favorito (eu também): Charada. Com seus enigmas veríamos um Batman mais detetive, coisa muito marcante nos quadrinhos e que nunca teve muita força na telona. Entretanto, depois de ver TDKR percebo que Nolan acertou em cheio ao trazer Bane à seu universo semi-realista. Nunca gostei do personagem, que tem uma origem e motivações bem fracas. Por outro lado, significaria um desafio totalmente diferente para o herói. Se nos filmes anteriores Batman se mostrava bom o bastante para derrotar sozinho a Liga das Sombras de Ras’Al Ghul e correr de um lado a outro de Gotham para evitar as peripécias do Coringa, agora ele tem um rival capaz de destruí-lo num confronto direto.

E este é o grande mérito deste filme: não tentar superar o segundo, mas usando um pouco deste e bastante dos temas colocados no primeiro para fechar a série e a Lenda do Homem-Morcego. Lenda. Este termo é muito importante e serve de base para entender de quê se trata todos os três filmes.

Diferente do Batman que crescemos vendo na TV ou nas HQs, com turnos quase que diários pela cidade de Gotham, com inúmeros ladrões de 7eleven e malucos fantasiados em geral (ver post anterior da Jenny) o herói interpretado por Christian Bale é como um megaevento, algo surpreendente. Uma figura bizarra e assustadora  esmagando o asfalto com seu Tumbler que não poderia passar despercebida a todos os olhos de uma metrópole por tantos anos. Por isso a ação de Batman é quase sempre bem pontual, apesar de ser espetaculosa.

Ninguém anda com uma porcaria dessas por muito tempo sem deixar grandes rastros.

Assim como antes, o envolvimento de Bruce Wayne com a ação de Bane estão intimamente ligados. A fim de encerrar este ciclo destrutivo que custou muitas vidas nos episódios passados e mais um monte (sim, um monte) no terceiro filme, o Batman precisa voltar e encerrar seu ciclo, vencendo antigos medos, limitações e libertando-se para sempre.

Achei o filme mais comparável não com The Dark Knight, mas com outra obra de Nolan, Inception. Assim como A Origem, TDKR (The Dark Knight Rises) não é um primor quase intocável. Tem partes confusas, até meio bobas. Apesar de quase tudo em TDKR ter um significado, servir de símbolo para a obra, muitas coisas são apresentadas de maneira não muito convincente e podem incomodar os espectadores mais chatos e com prisão de ventre exigentes. Por outro lado, a espinha dorsal do filme, que liga este ato final do Cavaleiro das Trevas à sua própria origem e ascensão, é muito bem usada e respeitada. Os bons atores selecionados seguram o filme mesmo quando ele parece não ir muito bem. Christian Bale faz um Bruce Wayne mais velho e sombrio, cheio de culpa. Tom Hardy mostra que é um excelente profissional, dando personalidade e peso a um vilão no mínimo contestável. Apesar de sua voz causar polêmica (uns gostam ,outros detestam) a maneira como ele contorna a situação me agradou muito. E Michael Cane, bem… com certeza o grande nome deste cast , acaba aparecendo pouco no longa, mas rende as cenas mais emocionantes de um filme que consegue comover em alguns momentos e trazer aquele sentimento de nostalgia por algo que se encerra.

Bem, ainda não falei da Mulher-Gato… Anne Hathaway não tinha cara de Selina Kyle, na minha visão. Parecia ter um ar muito juvenil, e não de uma ladra adulta, maliciosa, dúbia… e sensual. Apesar de Hathaway ser linda e boa atriz, tinha medo dela não entrar no clima do filme. Mas as cenas em que aparece são muito bem construídas e conseguem cativar o espectador. Nem tanto quanto ela mexe com o frio Bruce Wayne, que claramente mostra-se apaixonado pela “boa ladra”, mesmo esta sacaneando o herói até não poder mais.

Em suma, achei TDKR um grande filme, não somente um filme grande/grandioso. Nolan se mostra corajoso, tentando sempre sair do óbvio, mas sem ser maluco demais pra deixar o público menos “antenado” perdido. A ação do filme é bem conduzida e vemos Batman lutar como nunca. É emocionante e com personagens cativantes, que tem personalidade. Em nome do roteiro e de não deixar o filme mais longo do que já é (mais de 2h40) alguns erros são cometidos. Coisas não são bem explicadas ou forçadas demais. Mas não o bastante para que o fim da trilogia de Nolan deixe de ser um filme obrigatório.

Não podemos tirar a razão de Bruce Wayne. Por que não se deixar enrolar por uma Selina Kyle dessas?

 

Nota Com Spoiler!

Muitos dos erros que citei acima foram citados pelo Nerdcast e pelos Melhores do Mundo. Mas acho que faltou um que me fez sair do cinema com a pulga atrás da orelha. E na verdade o único erro que realmente me fez achar o filme um pouco pior que gostaria. Quando Batman leva a bomba NUCLEAR (eu disse  N U C L E A R ) para o Oceano Atlântico a edição dá a entender que sim, é o Bátema que está pilotando o Morcego. Então, como ele sobreviveu? Mesmo que tenha saído da nave antes da detonação da ogiva, como ele sobreviveria?

Na verdade… não acho isso o mais importante. Afinal… ele é o Batman, ele se vira. O problema é que, a menos que eu esteja maluco, Nolan não dá uma brecha para que Batman sobreviva. Tirando este fato, achei o final um espetáculo. Quero muito que nunca mais façam um filme do Batman, acho que não precisa de mais nada. Mas, como a Warner precisa ganhar dinheiro….

 

Batman e seus (muitos) vilões

(muitos mesmo)

Se tem algo que não falta pro morcegudo, além de obviamente dinheiro, são inimigos. O cara é mais odiado que Michel Teló e Vuvuzelas juntos, e eu realmente acho que os psiquiatras desse planeta deviam estudar profundamente WhatAPorra rola em Gotham pra ter tanta gente sequelada por lá.

Você conhece todos eles? Consegue classificá-los por origem/poder?
Claro que não! Mas a gente te ajuda 

*clique na figura para aumentar*

Esse infográfico engloba desde o mais lendário inimigo até o mais Zé-Ruela que morreu com a  facilidade que um Cavaleiro de Prata falece em CDZ.

Mas é claro, temos os vilões clássicos, os vilões fodões que moram no nosso coração e que, muitas vezes, gostamos mais do que do próprio Batman. Que tal entrar no túnel do tempo videoshowfeelings e lembra como eles eram na época do guaraná com rolha e acompanhar a evolução deles?

*Você já sabe como aumentar neste momento, né?*

Eu juro que não sei porque as pessoas ainda vivem em Gotham City. Não faz sentido!

Via 1, 2.