Resenhando: Guerra Mundial Z
14 fev
Essa é uma resenha crítica sobre um livro de cabeceira dos Zombie-Hunters, colaboração da linda Fanny @AnyaKinn Sene. Colabore você também com esta epopéia blogueira!
BROOKS, Max. Guerra mundial Z: uma história oral da guerra dos Zumbis. Rocco, Rio de Janeiro: 2010. 368p.
Tradução Por Ryta Vinagre de : World War Z: an oral history of the zombie war.
“Eles não tinham medo! Independente do que fizermos, por mais que matarmos, eles nunca, jamais têm medo.”
‘Os anos sombrios’, a ‘peste ambulante’ ou simplesmente ‘Guerra Mundial Z’. Doze anos depois de declarado nos Estados Unidos, o Dia V, Max Brooks assume o papel de narrador em um livro de memórias emocionante e ‘Humano’.
Oficial do exército membro da Comissão do Pós-Guerra das Nações Unidas, o narrador é encarregado de elaborar o relatório oficial sobre o ocorrido, mas se depara com um conflito pessoal e descobre que, a intimidade e a humanidade em sua obra fora totalmente descartada – dando lugar a uma coletânea de dados fria e dura sobre uma década apocalíptica – se tornando somente informações ‘pós-ação’. Com a motivação de não deixar ‘as histórias morrerem’, escreveu um livro de memórias, que inclui detalhes do relatório oficial e lembranças de sobreviventes durante e pós-guerra.
Em Guerra Mundial Z, Max Brooks retoma o tema de seu primeiro livro, O Guia de Sobrevivência a Zumbis – leia resenha aqui -, mas diferente do primeiro, leva a narrativa classificada como gênero ‘Ficção de terror’ a um nível diferente. Com o desenvolvimento do livro bem construído, o relato conta em primeira pessoa com pequenas histórias em formato de entrevista. As perspectivas diversas – desde entrevistas com sobreviventes civis, militares e até especialistas no tema – e os testemunhos destes sobreviventes são recheados de naturalidade, e seu envolvimento (pessoal e/ou profissional) na guerra traz a tona um impacto realístico sobre o leitor.
Uma constante sensação de realidade percorre toda a leitura, pois como os livros do gênero, este é muito detalhista e de difícil leitura, mas a História e crítica à realidade embutidas não perdem a ligação com o tema fictício em momento algum. Senti falta de aprofundamento em vários relatos e/ou assuntos, pois mesmo com a incrível construção do livro em termos estruturais, as estórias têm gostinho de ‘quero mais’.
Traçando um panorama sobre a insurreição e o ataque dos seres que quase extinguiram a humanidade, o livro conta com oito capítulos que funcionam como ‘categorias’ em um trabalho científico: categorizar as entrevistas de acordo com temas recorrentes. Os temas vão de Alertas, Culpa, o grande Pânico, Virada de maré, um capítulo só sobre os americanos (recorrente da nacionalidade do autor), um destinado ao Mundo, Guerra total e Despedidas.
O início do livro conta minuciosamente o relato de como tudo começou. O primeiro capítulo tenta explicar o desenrolar da situação, especulando o surgimento da crise na China, como foi o desenvolvimento da infecção nos países, a fuga em terra e no mar, o primeiro desespero da população, quais os destinos focados, as pesquisas científicas e algumas estratégias utilizadas de início pelos governos. O terror apenas começava.
Dentro do primeiro capítulo, um relato ocorre no Brasil, onde a situação se desenvolve em São Paulo, mas a entrevista foi dada em – lógico, ironicamente pensado e super provável – uma tribo ianomâmi, em uma aldeia que fica EM CIMA das árvores, no meio da Amazônia…
A partir as primeiras impressões, o livro começa a tecer sobre a postura das autoridades acerca do assunto (polícia, CIA, governo, exército, ONU, etc.), sobre uma provável vacina, marketing, mídia, indústrias voltadas ao consumo durante a guerra e toda uma crítica à realidade.
Brooks faz menção – dentro da fala do narrador e dos entrevistados – a forma como os ‘responsáveis’ lidam com os conflitos atuais reais, guerras, bombas nucleares e diversos outros fatores políticos, econômicos, religiosos, sociais e raciais. Tece comentários ácidos, e deixa clara a crítica sobre temas diversos como o autoritarismo, a falsificação de relatórios de inteligência por parte do governo, o impacto social e ambiental de grandes empreendimentos, a opressão imposta por regimes fundamentalistas, e ao tráfico internacional de órgãos.
Ainda dentro da idéia política, o livro fala especificamente dos EUA sobre a política de reconstrução do país, patriotismo, manipulação da massa, assistência à população como recursos, saúde e comida, e doenças psicológicas como síndrome de morte assintomática e quislings, estudando prevenção e tratamentos.
Outro fator que torna a realidade do livro cada vez mais convincente durante a leitura, é que este explana sobre os instintos da raça humana, seus valores e sentimentos, especificamente o MEDO. Temas com que freqüentemente torna fácil a identificação com o interlocutor. ‘O grande pânico’ é o capítulo com maior concentração destes: Descreve os destroços físicos e da sociedade; explana os valores humanos, o valor da vida, valor material e do próprio dinheiro durante o pior da guerra; desenvolve questões psicológicas e extremas do lado humano, como sobrevivência a partir de coisas ‘inumanas’, sacrifício de milhares para a vida de poucos e o dever dos militares perante a nação e a população.
Durante a erradicação do problema, o livro ainda conta com a definição de Guerra Total contra os Zumbis e descreve o extermínio destes, as estratégias de guerra utilizadas, a logística, o posicionamento das tropas, as técnicas e o auxílio precário, mas indispensável, dos cães (que, aliás, foi uma das partes que mais me identifiquei ;_; ).
Por fim, o surto de epidemia/pandemia que revelou o terrível custo humano está sendo controlado, e a sobrevivência, o retorno à sociedade e a reconstrução do ‘mundo’, em conjunto com os sentimentos sobre o que passou, são assuntos decorrentes dos últimos capítulos.
O irônico e irreverente escritor faz com que as primeiras páginas sejam pesadas de referências, críticas e históricas – além de zumbis – mas ao longo do enredo a leitura vai ficando leve, corrida e agradável. Guerra Mundial Z é um texto fictício sobre um total boom de zumbis, e agregar a fala de quem ainda sente as seqüelas da guerra e convive com essa realidade imposta – onde zumbis fazem parte do seu dia a dia – nos ajuda a perceber que eles são REALMENTE um problema em um futuro próximo.
Muito mais Livro, e não guia, é realmente imperdível para fãs inteligentes do gênero e de Zumbis. Eu recomendo e estou preparada.
*Guerra Mundial Z teve seus direitos comprados para o cinema.












![[Update] O mundo acaba daqui um ano! Escreva sobre isso!](http://www.documentarios.org/images/pequenas/2012_apocalipse.gif)













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