Desenterrando: Robot Jox
21 mai
Você tem flashs aleatórios de sua memória que não sabe de onde vem? Pois é, a maioria das coisas que vi na TV até meados dos anos 90 são assim. Algumas coisas, que eu tinha certeza de existir, não conseguia provar. Até poder procurar tudo na internet.
Fuçando pelo pobre catálogo da Netflix brasileira, encontrei um título que me chamou muito a atenção:
E logo me vieram imagens do fundo das entranhas da memória:

E esta. Pequena como a referência consiente destas imagens. A não ser uma tarde de marasmo vendo SBT.
Robot Jox, filme de 1989 que deveria ter sido esquecido por todos, bem, quase foi. Escrito e dirigido por Stuart Gordon ( mesmo roteirista dos inesquecíveis Querida, Encolhi as Crianças e Querida, Estiquei o Bebê ) se passa num futuro “pós-semi-apocalítico” onde apenas duas nações sobreviveram à mutretas nucleares: o Mercado ( bloco liderado pelo EUA, ou o que sobrou dele ) e a Confederação, com seus soviéticos maus, feios e com cara de melão. Para definir quem tinha soberania por determinada região do globo ou qualquer outro imbróglio mais relevante ( afinal, os diplomatas da Terra devem ter sidos todos queimados nas explosões atômicas ) a solução encontrada foi botar dois robôs gigantes movidos por stop-motion e pilotados por malucos com nomes de guerra genéricos. Veja como funciona no trailer:
Além de uma tosquice visual gigante em montar o universo de Robot Jox ( exceção feita aos artistas que construíram os robôs ) o filme é uma imensa e morna montanha de cocô por ter um dos roteiros mais sem noção da sci-fi dos anos 80. Primeiro é importante lembrar que o princípio de funcionamento dos robôs é o mesmo visto em mecanóides como Avatar e Matrix Revolutions : os movimentos do piloto são “fielmente” reproduzidos pela máquina. Não sou engenheiro nem nada parecido, mas… como sou muito mais fã de um PS3 que de um Wii ou Kinect da vida sempre achei essa parada de máquinas repetindo movimentos humanos meio furada. Em primeiro lugar, uma máquina tem proporções distribuição de peso diferente do corpo humano ( e, muito provavelmente, um centro de gravidade num lugar bem zoado ) assim, um máquina reagiria diferentemente aos nossos movimentos que nosso corpo, que já conhecemos. Acho que um joystic resolveria melhor o problema. Ou, ainda mais inteligentemente, operaríamos os colossos de metal num cabine, bem seguros e quentinhos.

Aqui uma das maravilhas do futuro oitentista: um cano de máquina de lavar roupa que liga nada a lugar nenhum.
Voltando ao filme, como a capacidade atlética dos pilotos é fundamental, as duas nações desenvolvem projetos de engenharia genética para obter guerreiros o mais próximos da perfeição quanto se pode. Um conceito, aliás, bem semelhante ao dos replicantes de Blade Runner. O problema é que em vários momentos do filme ( na verdade, em todos ) os humanos de laboratório se mostram muito mais loosers que os lutadores ( Robot Jox ) consagrados, tomando sonoras piabas. Além dos replicantes de safra muito ruim, temos o tema da espionagem como fator importante da trama. Pena que a trama é tão sem sentido e mal explicada ( e pensada ) que… bem, nem sei o que dizer, apenas esqueça o lance da espionagem caso veja este filme. e, para ter vontade de vê-lo, seria apenas se você estivesse com os braços e pernas quebrados e não tivesse qualquer outra forma de distração disponível; nem mesmo bater a cabeça na parede repetida vezes, no desejo de saber com quantas pancadas você ficaria desacordado.
E daí vem o principal motivo pelo qual este filme caiu no esquecimento ( ou no limbo mental, como meu caso ) : o filme não sabe pra quem foi feito. É idiota demais para ser adulto e violento e com insinuações de sacanagem demais para crianças ( e com insinuações de menos para fazer sucesso entre os japoneses ). De tão ruim, mas tão ruim, ele quase dá uma volta de 360 graus e fica bom. Quase. Até nisso ele foi mal.









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