Resenhando: Sandman – Caçadores de Sonhos

25 dez

Arte.

Essa resenha, pra ser bem sincero, deveria ter apenas esta palavra de quatro letras e mais umas ilustrações de P. Craig Russell. Já são o bastante para que qualquer pessoa tivesse interesse por esse encadernado que a Panini Books traz ao Brasil neste fim de ano.

Sandman: Caçadores de Sonhos é daquele tipo de estória que reverbera dentro de você. Tive uma sensação parecida ao assistir Forrest Gump. A inocência infantil do personagem que tomou vida graças ao trabalho de Tom Hanks emociona pelo  contraste dos fatos marcantes vividos por aquele homem do Alabama com a pureza de seus olhos. E Caçadores de Sonhos faz algo semelhante com o leitor. Amor, ódio, bondade, vingança, vergonha… todos estes sentimentos tão distintos são bem colocados e sobrepostos na obra de Neil Gaiman. Confesso que sou um leigo quando o assunto é Gaiman e sua obra. Mas o pouco que já li do autor britânico me agrada foderosamente (aliás, acho que uma parceria Gaiman no roteiro / Tim Burton na direção de arte daria um filme do c´™r•alho….. se é que já não ocorreu…).

A trama gira em torno de um jovem monge  que cuida de um templo minúsculo encravado no interior do Japão. Lá ele vive na mais perfeita paz e hamonia de Jah Buda. Até que um texugo e uma raposa (sim,os animais falam) decidem dar um zoada no pobre rapaz, tirando-o de seu posto. Afinal, quem não gosta de uma pegadinha?  Entretanto, as consequências da empreitada são bem diferentes do esperado….

O mais interessante na obra é que ela parece ter sido escrita muitos séculos atrás. Usando uma linguagem de compreensão praticamente universal, Gaiman nos traz quase uma fábula, que introduz de maneira bastante oportuna o famoso personagem Sandman.

O equilíbrio e a sensibilidade são o porto forte ( íssimo ) da gaphic novel, que é ilustrada por P. Craig Russel. Seus traços e cores remontam mais à arte clássica japonesa que aos modernos mangás, o que dá ainda mais força à atmosfera quase atemporal da obra.

Atemporal. Sem limites normais que são dados às HQs, Neil Gaiman não se prende ao usual e ao fugaz e faz o que sentimos tanta falta no mundo pop: Arte. Sem outros adjetivos. Apenas arte.

3 respostas para “Resenhando: Sandman – Caçadores de Sonhos”

  1. Amanda 26. dez, 2011 em 12:10 pm #

    Já ocorreu uma parceria de Neil Gaiman com o Tim Burton. A prova dessa parceria é Coraline, a menina de olhos de botão.

    Conheci as estórias do Neil Gaiman quando tinha 17 anos, em uma época um tanto ‘obscura’ da minha vida (estava deprimida e pensando em suicídio)e foi um personagem dele que me salvou. A própria Morte me salvou e desde esse dia, Neil Gaiman tem se tornado um ‘anjo da guarda’ para mim. E, com toda a certeza, esse será mais um livro dele que irei comprar.

  2. Barangurte 26. dez, 2011 em 12:48 pm #

    Sabe aquilo que você precisa ler???? Tipo, precisa para viver???
    Então…

    Neil é meu amor eterno!!!

  3. Vampira Dea 26. dez, 2011 em 5:53 pm #

    Viajei por aqui e adorei o blog, uma cultura que conheço pouco e quero buscar mais, essa das animações, mangás etc.

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