Serbian Film e os limites da arte

3 ago

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Nas últimas semanas uma polêmica circula nos meios de comunicação, e principalmente nas redes sociais. Mas não estou falando do nojento, asqueroso, pútrido, repugnante, abominável Serbian Film e sim da sua proibição, que me parece ser tão amarga quanto a violência explícita mostrada no filme.

Para quem ainda não sabe do que estou falando, é o seguinte: o filme conta a história de um ator pornô quase aposentado que recebe uma proposta para fazer um filme “artístico”mas acaba envolvido em filmagens em torno de necrofilia, pedofilia e situações aterradoras. Lançado em 2010 e dirigido por Srdan Spasojevic, o filme foi proibido também em vários países. Caso não tenha restrições gástricas assista também o trailer do filme:

Crianças e pessoas sensíveis, vão ver Crepúsculo. O vídeo abaixo tem Regra 34 da braba!

Este era o trailer light. Se você estiver preparado: http://www.trailerspy.com/trailer/8035/Serbian-Film-Red-Band-Trailer

Primeiro no Rio de Janeiro, essa minha terra linda, depois a exibição do filme foi proibida em todo país.

Isso nos traz algumas questões:

1)      A proibição apenas aguçou a vontade de assistir o filme e hoje mesmo aqueles que não são antenados com esse mundo underground, mas curtem cinema, já ouviram falar de Serbian Film, o que não aconteceria se o filme fosse exibido em uma sala de cinema na madrugada pra meia dúzia de gatos pingados. Seria o bom coração cristão poupando a sociedade de um lixo doentio ou uma jogada de marketing?

2)      Depois de proibido, o filme deixou de ocupar espaços nos cinemas (em festivais alternativos, quase sempre) e passou a morar em vários computadores, dos computadores de quem possui o mínimo de conhecimento em compartilhamento de arquivos e ficou mega curioso com a obra e,

3)      agora não há classificação indicativa que resista. O filme pode ser assistido por famílias na hora do almoço, crianças, adolescentes. Não julgo aqui o mérito, mas é uma conseqüência.

A tentativa de proibir me parece tão absurda justamente por esquecer o efeito contrário que isso produz e menosprezar o poder da internet. Até onde eu sei, a liberdade de expressão é um direito máximo e alguém decidir o que eu devo ou não assistir me faz voltar a um passado sombrio. É mais fácil proibir um filme que contém violência, afastá-lo do campo de visão, e assim afasta-se também a violência cotidiana, os abusos diários, que desaparecem quando terminam os noticiários e desliga-se a TV, quando fecham-se os vidros do carro.

Por outro lado, se analisarmos a legislação brasileira, principalmente no que diz respeito à proteção de crianças e adolescentes, o filme não deve ser exibido mesmo, já que as cenas de pedofilia – mesmo não tendo crianças envolvidas, óbvio – ferem esse princípio. Além disso, é mesmo necessário trazer cenas que mostram a degradação do ser humano em todos os sentidos? Qual o objetivo disso? É nocivo? É necessário? A arte, seja um filme, um livro, uma escultura, está livre de julgamentos e assim pode fazer o que der na telha?

Bom, diante de tudo isso, duas questões ainda rondam minha cabeça: até onde uma representação de arte pode ir e até onde a censura deve existir (ou não). Como eu sei que os leitores do Zumblorg são muito inteligentes e críticos deixo pra vocês essa batata quente.

 

Até mais, little zombies!

 

6 respostas para “Serbian Film e os limites da arte”

  1. Kurai 03. ago, 2011 em 5:29 pm #

    Eu ainda não tive “coragem” de assistir o filme… ando meio bunda moleando ultimamente HAUIHUIAHUIA

    Mas com certeza o filme ficou mais conhecido só pelo fato de terem proíbido. Antes ninguém ligava, era só mais um filme gore, agora todo mundo quer ver só porque foi censurado e pelo motivo que foi censurado.

    Na minha opnião o filme deve ser basicamente aqueles pornôs trash gore, não creio que tenha uma história muito bem desenvolvida.

  2. JOPZ 03. ago, 2011 em 5:42 pm #

    Abaixo a censura.

    JOPZ

  3. Sybylla 03. ago, 2011 em 9:27 pm #

    Deixou mesmo a batata quente pro leitor hein? =)

    De fato, proibir pode levar a uma procura maior. O efeito acaba sendo contrário ao esperado.

    Mas então, por que fizeram? Eu me recusei a assistir o trailler mas o que as pessoas falam me faz ficar afastada desse tipo de… ‘arte’. Se vai fazer algo que poucas pessoas tenham estômago para ver, talvez a arte tenha ido um pouco além.

    Não é nem questão de proibir de ver, mas sim de fazer algo que tem um gosto tão questionável. Eu tenho o bom senso de não assistir algo que vá me incomodar, mas não é todo mundo que tem esse discernimento, então entra a questão da censura. Até onde ela também é aceitável.

    Papo complicado.

  4. Leandro Leite (@LeandroLeite_) 04. ago, 2011 em 1:04 am #

    Assunto bem delicado mesmo…

    Me lembrou a polêmica ao redor do game “Rape lay” que tinha não só pedofilia explícita, mas também colocava o jogador no papel do estuprador. Foi proibido em alguns países também e gerou muitas reações “anti-censura”.

    Quanto a terem censurado no Brasil eu achei uma estupidez, sem o discurso panfletário de “censura não!”, mas de fato aqui quem censurou o filme nem sequer assistiu. Ouviu falar e nessa de telefone sem fio acabou chegando no ouvido de uma juíza algo como “No filme eles estupram um recem nascido”. Claro que isso tem um impacto absurdo quando você ouve ou lê, mas no contexto do filme a sugestão pode mostrar que não é algo tão horrendo (eu não assisti o filme tbm).

    Em resumo, se tiveram motivos pra proibir tudo bem (proibiram GTA no Brasil e ninguém falou nada), mas do jeito que fizeram foi rídiculo “Não vi, não quero ver e tenho raiva de quem viu, mas tá proibido!”

  5. Vinicius 04. ago, 2011 em 9:56 am #

    Parece que o fudunço maior se deu porque quem estava patrocinando o evento onde ia ser exibido o filme era a Caixa Enconômica Federal, mas um dos responsáveis do banco recebeu ligações e ameaças de clientes dizendo que iam cancelar suas contas e tudo mais se a Caixa continuasse a patrocinar.

    Em declaração o magrão até disse que não havia visto o filme, mas que por conter tal conteúdo ofensivo, a Caixa não poderia compartilhar com tais ideias.

    É o tão comum não joguei, não vi, mas proibi. Independentemente do conteúdo que tenha, como alguém vai proibir algo só porque um primo da tia da empregada disse que tem que proibir?

  6. Diego 07. ago, 2011 em 3:39 pm #

    Ando bem afastado da internet ultimamente,por isso não sabia da existência desse longa.Já ouvi falar no “Homem-Centopeia” ou algo assim,que foi proibido na Inglaterra (se não foe esse o o nome do filme,favor me corrigir).

    Mas acredito que,de fato,tudo tem limite,até a escrotidão dos filmes escrotos.Não é porque existe a liberdade de expressão que posso fazer ou insinuar qualquer lixo.

    Mesmo a censura tendo esse efeito contrário,de estimular gente à procurar o conteúdo,por ser proibido e “mais gostoso” liberar a exibição de algo ofensivo demais pode abrir precendentes perigosos.De fato,é uma questão bastante complexa.Embora,inicialmente,eu seja contra qualquer tipo de censura,o bom-senso é muitas vezes ferido por bastante gente.

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