Calças Jeans, Twitter e morte em Tottenham
11 ago
Pois bem, todos sabemos (pelo menos em parte) do que anda acontecendo em Londres, após a morte de um inocente civil no bairro de Tottenham. Manifestaçãoes, violência, saques, muitas pessoas presas. Coisas que dificilmente esperaríamos de um país com índices de violência tão baixos. Ou não? No Brasil, muitas e muitas vidas são ceifadas, por bandidos ou policiais, mas tudo se tornou trivial. Tentamos esquecer isso e levar nossas vidas mesmo assim.
As causas do princípio dos tumultos e das suas motivações ainda parecem bem nebulosas. Enquanto escrevo este pequeno texto, autoridades britânicas discutem o uso de contingente militar para frear a violência, que ocorre também em outras grandes cidades do país, como Manchester e Birmingham. Realmente parece que há muito para evoluirmos antes do apocalipse zumbi .
Dois fatos relevantes, relacionados com o fenômeno supracitado, me levaram ao Zumblorg nesta tarde. O primeiro é que, com muitas das articulações dos populares ingleses acontecendo via redes sociais, a polícia local busca rastrear e interceptar tais informações em Twitter, Facebook e BBM (da BlackBerry), entre outras. Foi até cogitada a suspensão do uso dessas redes no país. Isso nos faz pensar na legitimidade do protesto (se existe ou não) e na atitude de banir o uso das redes sociais, caso ela realmente ocorra. No Egito, por exemplo, quando o povo se organizava para pedir a saída do presidente que lá ficou por décadas, a mídia ocidental apoiou o povo e repudiou fortemente o governo local, que proibiu o uso das redes. Agora, será que os manifestantes ingleses querem cobrar justiça e impedir que novos erros aconteçam, ou só querem tocar o terror, saquear lojas e queimar prédios e carros, como salientam os veículos de imprensa?
O outro motivo é da infeliz coincidência da Levi’s. A marca ia começar a vincular nova campanha mundial, com este vídeo:
Novamente, o jeans é usado como forma de simbolizar o espírito revolucionário e independente dos jovens adultos. Aquela sensação gostosa de ter o primeiro salário, coisas compradas com seu dinheiro, primeiras dívidas, um cafofo para chamar de seu. A ruptura de fortes laços paternalistas e a autonomia são evocados neste vídeo, bem produzido e dirigido. Mas será legítimo ligar esse sentimento a um produto? (sim, já falamos nisso aqui). O fato é que, num momento como esse, pega mal vincular algo como desafiar a polícia à sua marca.
Como sempre, respostas são bem complicadas (e quase nunca conclusivas). Mas pensar nisso nos ajuda à sobreviver um pouco mais por aqui.


![[Update] O mundo acaba daqui um ano! Escreva sobre isso!](http://www.documentarios.org/images/pequenas/2012_apocalipse.gif)












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