Resenhando: Sangue Quente, de Isaac Marion

9 jun

Esse post é uma colaboração do Vitor, um bem bolado massa entre o ZB e o blog Mestre das Resenhas.

Zumbis não são algo tão comum de se encontrar na literatura. E, mesmo quando os encontramos, na maior parte das vezes, a história é narrada pelos olhos da resistência da raça humana, que luta para sobreviver. Talvez seja por isso que Sangue Quente me saltou tanto os olhos. Não é só mais uma história de zumbis: é também narrada por um morto-vivo !  Não há mais nada interessante do que ficar por dentro da rotina – por mais que monótona – dos zumbis, descobrir como eles se interagem, como se expressam, se organizam, quando sentem fome e, principalmente, descobrir a resposta – ao menos do ponto de vista do autor  – para a pergunta que não param de fazer: Por que eles comem cérebros ?

E tudo isso do ponto de vista de R, um contaminado pela “praga”, que agora assola o mundo destruído. Ele é um zumbi como qualquer outro, não se lembra de seu nome, de sua vida anterior e passa os dias em sua típica monotonia. À medida que lemos sua discrição sobre a sociedade dos Mortos, uma frustração nos assola, pois, por mais que ele reflita muito, nunca consegue se expressar direito – os zumbis falam poucas palavras na mesma frase. E como ele reflete ! R sempre pensa sobre seus hábitos alimentares, sobre os humanos, sobre seus amigos zumbis e várias outras coisas. Ele aprecia música e outras tranqueiras que encontra em lugares abandonados pelos humanos. Em várias partes do livros o vemos escutando The Beatles ou Frank Sinatra. Ele é personagem cativante, provavelmente um dos primeiros zumbis que você vai poder dizer que adora. Os mortos moram todos num aeroporto na mesma monótona rotina. Mas tudo está para mudar.

A fome perturba os Mortos com uma sensação estranha e eles montam um grupo que ruma para a cidade, a fim de se alimentar, essa é a regra. E quando tem sorte, eles conseguem um cérebro para comer ! – e aí vai a resposta que você estava esperando: eles comem cérebros, pois podem ver as lembranças mais marcantes da pessoa que possuia a massa cinzenta. R tem sorte naquele dia, comendo o cérebro de Perry, namorado de Julie, uma menina que ele encontra encolida e com medo. R deseja protegê-la quando a vê, ao invés de querer devorá-la. O morto vivo a leva para o aeroporto, mantendo-a segura dos outros zumbis. Um vai ensinando coisas aos outros aos poucos, à medida que o medo de Julie passa e o afeto de R por esta aumenta. Mas, é possível um zumbi amar ? E, seria ainda possível um cadáver andante ser amado por uma humana ?

O autor, Isaac Marion, ainda reforça o conceito de “estar morto”, no livro, que não implica, necessariamente, que você esteja, literalmente, morto. Além disso, ele nos permeia com valores e vantagens que ser vivo nos traz, e o quanto nós todos não damos importância a eles.

O Aeroporto dos Mortos – por dentro da vida dos zumbis de Sangue Quente

Os Ossudos – São esqueletos bizarros que parecem se comunicar através do chacoalhar de seus ossos. R pensa que eles são como todos irão ficar um dia. São considerados os mais sábios. Eles casam os mortos-vivos, assim como lhes dão  crianças e expulsam os rebeldes.

Famílias – Os Ossudos ( ver acima ) casam os mortos-vivos, lhes dando crianças zumbis para criar. Forma-se a família zumbi, quase a mesma coisa que a nossa, sem considerar o fato de que estão mortos. Há também uma espécie de escola para os pequenos zumbis, onde podem aprender a matar humanos.

Na ativa – M, amigo de R, é o pegador do aeroporto. Como ? Eles ficam nus e se roçam ! O nosso protagonista ainda comenta que acha um tanto estranho por conta da expressão deles, que é vazia e abobalhada, em pleno ato sexual.

Facetas de R – Quotes de Sangue Quente

“Nao sou um general, coronel ou instrutor de cidades, sou apenas um defunto que nao quer ser um defunto.” – Página 221

“- Você pode se dar um nome sabia ? Escolha um, o que você quiser. ( …)

- Meu nome é R. – dou levemente de ombros” – Página 251

“Estou morto, mas isso nao é tao ruim. Aprendi a conviver com isso.” – Página 13

“Ponho a mao em minha barriga de novo

- Sinto Vazio. Sinto…morto. – Ele acena com a cabeca.

- Casa…mento” – Página 25

“M joga a cabeca para trás e faz sua melhor imitacao de gargalhada. Entao, bate no meu ombro.

- Meu garoto! Está…apaixonado. Há!” – Página 89

 

3 respostas para “Resenhando: Sangue Quente, de Isaac Marion”

  1. JOPZ 09. jun, 2011 em 3:37 pm #

    Bem interessante, quero conferir.

    JOPZ

  2. Diego 10. jun, 2011 em 10:40 am #

    Fiquei muito interessado na ideia do autor,bastante inovadora! Vamos ver se a execução também é boa!

    Além disso,preciso dar os parabéns ao Vitor,mas uma colaboração de muita qualidade! :)

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  1. Queremos Cérebros que Leiam!!! #01 | Revista Fantástica - 13. mai, 2012

    [...] a resenha do livro no Zumblorg ( http://zumbl.org/2011/06/resenha-sangue-quente-de-isaac-marion/ [...]

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