Foo Fighters e o Capitalismo mutante
14 mai
Que os Foo Fighters estão de volta você já deve(ria) saber.Mas uma coisa me chama mais atenção,além do fato do disco estar bem bacanudo.Entre Biebers e gostosas genéricas que adoram gravar clipes com Jay-Zs e Dr.Dres genéricos,Dave Ghrol e sua turma são uma das poucas bandas que jogam o jogo das gravadoras e mostram um rock mais verdadeiro que o resto da patota emetivesca e caprichística da música pop.Paradoxalmente,eles fazem sua parte na (ainda,apesar da pirataria) bilionária indústria fonográfica mostrando ser….menos ricos que realmente são.
Explico.Meu avô,um simpático menino magricelo ítalo-brasileiro nos anos 40 jamais sonharia em usar calça jeans.Aliás,nos rincões de Minas Gerais na época da Segunda Guerra Mundial,provavelmente o jovem Armando Marangoni nem devia fazer ideia do que é um jeans. (Agora,uma confissão nerd: sempre imaginei como seria foda ouvir meu avô dizendo que lutou ao lado de Steve Rogers na Itália….mas,deixa pra lá)Até os anos 50,com o visual de astros do cinema como James Dean e Marlon Brando,símbolos da rebeldia,usar essa peça de roupa nada mais era que dizer….sou um peão que lavra ouro nos rios do oeste americano.Depois deles,a peça tounou-se símbolo da rebeldia,algo como sairmos por aí de capacete de segurança.Algo que chocava,assustava,ia contra a corrente normal do pensamento.Foi assim com Jean e seus motqueiros,John Lennon e sua mensagem de paz e amor e os punks com o “faça-você-mesmo”,todos símbolos da luta da juventude contra o sistema vigente.
E aí vem o capitalismo,aquele maroto.Englobou tudo isso,e você gasta valores paquidérmicos num jeans de marca.Hoje,tudo é mercado e a rebeldia foi-se para o ralo.Ou para a privada,de onde saem escrementos coloridos e com óculos sem lente.Então,o jeito,é mostrar ser “underground” mesmo quando não é,num tipo de nostalgia daqueles tempos mais à la Zico que à la Cristiano Ronaldo.Pensando nisso,o Foo Fighters gravou seu disco no intuito de ficar cru,com o mínimo de intervenções eletrônicas.Conseguiram.O espírito “Old School” somado ao jeitão engraçaralho que a banda sempre teve se resumem no excepcional clipe de White Limo.
(Se não sabe quem é o tiozão de chapéu,você dificilmente entenderá os argumentos deste texto)
Não à toa,gente como eu gasta dinheiro para ser enganado;que está levando um produto bem igual era nos seus tempos de infância. Foo Fighters tenta te enganar (você quer isso mesmo,afinal) que tudo é como antigamente.Só não te enganam com a música,que é boa mesmo.
PS:Se quiser ler um texto que sintetiza isso tudo muito melhor que eu,leia os Blogs do Além.




![[Update] O mundo acaba daqui um ano! Escreva sobre isso!](http://www.documentarios.org/images/pequenas/2012_apocalipse.gif)












Excelente post!Agora as bandas não tem uma causa, tudo se tornou um padrão de marketing…sao raras as que conseguem manter suas origens e não ter influência de venda das gravadoras.
E além da calça jeans, James Dean lançou principalmente o uso da camiseta, pois se usava ela apenas por baixo da camisa, como uma roupa de baixo
Ótimo texto, expressou bem o que eu penso da comercialização dos valores.
Mas sabe, no fundo no fundo eu estou abrindo mão dessa causa (sim, ir contra a corrente capitalista que embala seus ídolos e os vende numa loja perto de você é uma causa), fica dificil ver tudo o que você acha legal se tornar fútil e produto de consumo (vide o hip hop, o que era nos 90′ e o que ele é hoje). E pior, e não poder fazer nada por que existem os imbatíveis argumentos “Isso é o que o povo gosta” ou “Tem que respeitar os gostos dos outros” (gostos que foram enfiados na sua cabeça fraca). A tendencia é essa, que tudo se torne comprável até mesmo ideais e valores.
esse cd tá fodástico e sem mais, ff é uma das poucas bandas que nunca sairam de forma