A magia do cinema está de volta? Ou ela nunca se foi?

7 abr

ois bem, senhores. Muitos são os colegas de faculdade que se surpreendem com minha capa de caderno:

Talvez não seja tão épica assim, mas o nome do filme em sua capa o é. Indiana Jones sintetiza tudo o que se pode esperar de um filme (pelo menos na versão de um nerd): diversão. Filmes geniais são aqueles que fazem todos se divertirem, que ficam em sua memória por anos, como ferro que marca as ancas do boi (caraca, lembrei de Rei do Gado… meu Deus!). Mais do que isso, filmes bons fazem a gente querer gostar de cinema, como craques fazem a gente querer jogar futebol e Charlie Sheen faz a gente querer ser milionário. Filmes que ficaram no imaginário de George Lucas, Steven Spielberg, Martin Scorcese, James Cameron, entre outros, trouxeram novos ares à cultura pop nos anos 70 e 80.

Na verdade, novos ares é pouco. Creio que revolução seja um termo mais apropriado, pois crianças, jovens e loosers em geral viram no cinema algo que lhe causava o mesmo sentimento de “liberdade de sonhar” dado por livros e quadrinhos, por exemplo. Diria, inclusive, que o próprio termo nerd como conhecemos hoje (algo muito menos pejorativo que o CDF, pelo qual eu era conhecido nos anos 90) deve muito aos indivíduos supracitados.

Aquela coisa de querer reunir a galera pra ver Avatar ou Homem de Ferro, mesmo aqueles colegas de escola que hoje moram longe (like me) rememorando um pouco os velhos tempos de tosquice, quando a vida era mais simples. Sem carros próprios, contas a pagar ou chefes repressores. Acho que um pouco desses sentimentos podem vir num tom mais suave em adaptações para as telonas dos heróis da Marvel, dos quais acompanhava as aventuras enquanto deveria estar estudando, confesso.

Mas creio que em termos de cinema, nada se compara em minha memória à Jurassic Park, de Spielberg. Deve ter sido a mesma coisa com as crianças que se embasbacaram com Avatar, um êxtase visual e emocional que só gênios do cinema nerd podem oferecer (não sei o que efeitos das drogas podem fazer, então descarto a possibilidade).

Nessa atual leva de diretores creio que dois deles se destacam como crianças crescidas com milhões de dólares a disposição para brincar: Zack Snyder e JJ.Abrams. Do primeiro falamos um pouco em “Resenhando :Sucker Punch”. O segundo, a mente por trás daquela que é, em minha opinião, a melhor série de TV ever: Lost (tá, você pode detestá-la ou ficar com ódio do final de novela que teve, mas, de fato, ela é um marco da teledramaturgia). Depois de conseguir bons créditos com a indústria do cinema com o belo rebooot de Star Trek, Abrams agora aposta naquilo que anda muito em falta: bons títulos inéditos.

E aqui chegamos onde queria: Super 8.

Este trailer me toruxe à mente 3 características que podem fazê-lo virar um épico:

1) Tem cara de filme atemporal: ET, Jurassic Park e Terminator 2 têm algo em comum: não são marcados pelo tempo em que foram filmados. Clichês de sua época não os prendem, sendo apreciados com a mesma intensidade hoje, vários anos após seu lançamento. Super 8, retratando os anos 70, também parece ter essa característica.

2) Deixa a expectativa no ar: Logo que soube de sua criação, comecei a seguir o @RocketProppeteers, site criado para promover o filme. Ledo engano meu, o segredo sobre o filme continuava. Os trailers de hoje mostram, em sua maioria, as melhores cenas do filme. Ou pior, fazem você acreditar que o filme é bom/emocionante/animado usando as cenas melhorzinhas para promovê-los. Super 8 consegue criar a expectativa sem mostrar muito.

3) Metalinguagem do cinema?: Crianças brincando de cinema flertam com o desconhecido? Não seria essa uma referência ao próprio JJ Abrams ou a Spielberg, que sonhava, veja você, em dirigir filmes de James Bond quando jovem? A mão repressora do exército, que pode significar os mais velhos que vêem as traquinagens dos jovens com olhos reprovadores parecem também fazer todo o sentido.

Uma coisa eu digo: fiquem de olho nesse filme. Ele pode ser o que poucos são hoje. Ou será que estou ficando um adulto chato?

 

PS: Não falei de Christopher Nolan ou de Quentin Tarantino porque acho se tratar de casos à parte. Falaremos dele no futuro.

3 respostas para “A magia do cinema está de volta? Ou ela nunca se foi?”

  1. Paula 07. abr, 2011 em 6:15 pm #

    Concordo plenamente! Se meu namorado visse esse caderno do Indiana Jones ia comprar pra ele, mesmo que ele não vai na escola, hahaha.

    Tô louca pra ver Super 8, fiquei doida com o trailer *-*

  2. Pepper 14. abr, 2011 em 4:10 pm #

    Primeiramente parabéns pelo blog. Desculpe comentar um post mais velho, mas eu estou “devorando” todos eles! =P
    Sobre o cinema atual, estou muito decepcionada. Vou dar um exemplo: No começo do ano anunciavam um filme no estilo medieval, meio dark, com o Nicholas Cage. Logo eu suspus que poderia ser um desses épicos, e fui no cinema conferir. Saí até triste por ter perdido dinheiro e tempo. PQ? Usaram as melhores cenas do filme no trailer. TODAS! E qnd vc tah quase dormindo no cinema, dá uma despertada do tédio e vê que o negócio tá começando a ficar bom, o filme simplesmente acaba. E não acaba dando a entender, acaba com td resolvido. D=
    Parece que os cineastas foram envolvidos pela tecnologia dos efeitos especiais e esqueceram de algo mais importante: um bom roteiro!
    Vlw pelo blog! Tá no favoritos já!

    • Barangurte 14. abr, 2011 em 8:01 pm #

      own Pepper, brigada pelo elogio!

      todos os comentários são sempre bem vindos! pode ser nos antigos, nos novos, nos mais-ou-menos…

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