A gente não quer só porrada
30 set
Escrevo este texto logo após terminar a leitura de 1602, série em quadrinhos escrita por Neil Gaiman e publicada originalmente entre 2003 e 2004 que serve como uma espécie de homenagem à mitologia criada por Stan Lee/Steve Dikto. E, logo após o término da minha leitura (que por sinal, gostei muito e recomendo) me pergunto se não há algo errado com a forma como a mitologia dos heróis (em especial da Marvel) vem sendo aproveitada no mundo cinematográfico/televisivo.
Antes de mais nada, tenho que deixar claro que não entendo patavinas de quadrinhos (meu chefe, o @wakkobr deve entender infinitamente mais) e que meu contato com tais artefatos se dá em apenas dois momentos da minha vida. Durante o meio dos anos 90 com a Turma da Mônica e um ou outro gibi do Tio Patinhas. Depois, durante o Ensino Médio, um amigo da minha sala me emprestava vários dos muitos títulos que tinha: X-Men, X-Men Extra, Arma-X (Hoje Wolverine) e alguns do Homem-Aranha. Ou seja, só Marvel, nunca li DC Comics na vida. Aliás, hoje me pergunto se o tempo que fazia isso na adolescência não interferiu no fato de que hoje, nas aulas de química na faculdade, me sinto mais perdido que FDP em dia dos pais. Enfim…
Mas o que realmente me intriga é o fato destas histórias e personagens com décadas de vida, morte, bobagens e genialidades sejam tão mal explorados em alguns casos. Vamos pegar dois casos que pra mim são bem emblemáticos:
1 -X-Men já deu origem a 3 filmes nessa década de 2000, todos com grande bilheteria. Considero os dois primeiros as melhores adaptações de quadrinhos, sem contar os filmes de Batman do Christopher Nolan. Claro, questão de gosto. No terceiro, mudou o diretor e a trilogia fechou, a meu ver, de forma bizarra.
2 -Tony Stark, o herói fanfarrão tão bem conduzido nos cinemas com Robert Downey Jr. no papel principal, deu origem, claro, a mais uma série animada. “Homem de Ferro” que vi na TV Globinho num dos dias que perdi a aula das 8h da manhã. Se nunca viu, parabéns, nada você perdeu meu pequeno padawan. Um desenho péssimo, com animação 3D tosca e sem vida, sem ritmo e nem mesmo ação, que é o que se espera de um desenho para meninos (pow, a meninada vê Dragon Ball Z!!!!!).
O que acho que esses dois exemplos têm em comum é o claro bom e mau uso, respectivamente, do que podemos chamar de “essência” do herói. Ou, melhor dizendo, aquilo que o arquétipo do herói tenta nos transmitir. Ou melhor ainda, deixar que alguém bom nisso explique. Fala aí,JJ Abrams:
Viu só? Quando o desenho que passa na Rede Grobo mostra um Tony Stark adolescente, na high school (o cara é um bilionário e tá no High School??????? WTF?), bundão e com amigos igualmente sem personalidade ocorre o instantâneo assassinato daquilo que o torna especial.Será que eles viram os mesmos filmes que todo o resto da humanidade?
No caso dos X-Men, o êxito dos dois primeiros filmes está em mostrar… os X-Men! Com exceção do Ciclope, que simplesmente não existe nos filmes, todos aparecem nas telonas. Aparecem porque estão em sua essência. Magneto não precisa ser ultra-musculoso pra ser um vilão assustador. Afinal, um cara que controla o metal já é praticamente um semi-deus.
Ele precisa sair na porrada com alguém? Magneto é mais que um vilão. Ele não quer assaltar bancos fantasiado de vermelho e

Depois dos filmes,esse foi o visual que Magneto surgiu em New X-Men,muito mais próxima de Ian McKellen que do tradicional bombadaço dos anos 80/90
roxo (isso seria bastante embaraçoso), Magneto é um líder político, alguém que age conforme sua própria moral, defendendo seus pares em detrimento dos demais (quantos líderes políticos do mundo real não são assim?). Acho o arqui-inimigo dos Filhos do Átomo o mais próximo que algum personagem dos quadrinhos chegou do Darth Vader. E é justamente isso que vemos no cinema. Além do fato desses filmes possuírem roteiro, história, e por que não dizer: alma, coisa que, pensando bem, nem seria tão difícil pra caras que ganham milhões pra isso afinal.
E no terceiro filme, o que vemos parece ser profissionais que somente abaixam a cabeça (e as calças) aos caprichos do estúdio e de fãs imbecis, que querem porque querem que determinado mutante apareça no filme. Só que eles não precisam aparecer. Aliás, não devem, pois se não há um contexto para isso, sua presença simplesmente atrapalha.
O mundo do entretenimento está cheio de convergências, adaptações, continuações e… mesmice. Acho que falta a essa gente cheia de investimentos polpudos confiança. Confiança nos seus artistas e, principalmente, no público, que já é crescidinho o bastante pra saber o que quer. E ele não quer só porrada. Quer se divertir de uma forma mais completa. Então, mexam esses traseiros gordos antes que o Justiceiro transforme-as em carne moída pra nuggets.













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