Crossed
25 mai
Atenção: post da categoria Regra 34, isto é, possui conteúdo adulto e violência. Caso seja menor de idade ou fraco de coração, leia algum de nossos outros posts!
Uma ótima resenha, por nosso colaborador da vez, @Synthzoid
Quando eu li os comentários da crítica estrangeira sobre Crossed – de Garth Ennis e Jacen Burrows, publicado lá fora pela Avatar Press – admito que fiquei impressionado, era algo muito próximo do catastrófico, que o tom da HQ, graças a fortes cenas de violência que acompanhavam um argumento desolador e niilista, conseguia facilmente retirar o leitor da sua zona de conforto.
Instigado por toda esta repercussão, resolvi correr atrás do material e baixei os scans. Quando falamos sobre Garth Ennis, vale a pena o humor negro presente em suas histórias, um artifício que convida o leitor a ser cúmplice dos acontecimentos que se desenrolam, a figura do canalha carismático é bastante recorrente em seus trabalhos, como em Preacher, da Vertigo Comics, ou em The Boys (também da Avatar Press).
Quando isto não ocorre, o público leitor de HQs é presenteado por histórias pesadas, de ambientação opressora e personagens decadentes, vide um dos grandes sucessos do autor, em sua interpretação do herói da Marvel Comics, o Justiceiro.
No caso de Crossed, o buraco é mais embaixo.
O gênero de terror que acompanha a figura do Zumbi é sempre associado a “situações de sobrevivência”, um grupo de pessoas que se une para superar um mal em comum, geralmente existe o ás na manga, um fuzileiro naval, um cientista, um especialista, alguém que conseguira prestar, de forma heróica, mais chances de sobrevivência.
Tendo ciência disto, Garth Ennis quebra esta constante ao trazer a tona personagens mais próximos do comum, homens de família, mães solteiras, deficientes físicos, gente sem grandes proficiências e mediana.
Ao longo da história fica claro que não existirá uma grande descoberta, que ninguém vai dizer o que se passa, ou se possível, apresentar uma solução permanente quanto aos Crosseds.
Sim, os Crossed.
O nome vem da principal característica dos infectos, uma peculiar ferida que se alastra pelo rosto, formando uma cruz.
Esqueça os mortos-vivos de Romero ou os humanos raivosos de Boyle, os Crossed são inteligentes, sádicos e mesquinhos, representam o mal latente na humanidade: ao contrário das massas desorganizadas, os Crossed retém o intelecto humano, se organizam em bandos, torturam psicologicamente suas vítimas e presas, basta um mero contato com um fluído corporal do infectado para que a pessoa se transforme em um assassino em série.
Em um momento apoteótico, os sobreviventes descobrem que os Infectados ejaculam na munição para poder contaminar a longa distancia; em outro, os Infectados reúnem uma série de pessoas dentro de um container e jogam armas sujas de sangue e outros fluídos, ou – a que foi mais comentada pela crítica estrangeira, diga-se de passagem – quando um bando chacina um casal, que em meio a troca de ofensas, são sodomizados e estripados enquanto vêm sua filha ser esquartejada.
A violência metódica dos Crosseds faz com que os protagonistas evitem atitudes impetuosas, no ambiente de sobrevivência não há espaço para heroísmo e isso é seguido à risca.
A líder dos sobreviventes é a garçonete Cindy, determinada em superar e seguir adiante, ela precisa proteger seu filho da loucura que se instalou pelo mundo.
Se por um momento, muito se especula em relação a origem dos Infectados, Garth Ennis se supera ao desenvolver os personagens, questionando morais, argumentando que para sobreviver em um mundo repleto de sádicos e estupradores, é necessário abandonam a humanidade dentro de si, os protagonistas acabam se deprimindo ou perdendo remorso por seus atos. Buscam o suicídio, matam retardatários e doentes, adquirem feições repletas de sisudez.
Ao comentar com outro amigo que leu a HQ, ele mencionou também o alarde da crítica estrangeira, ingênua e distante da realidade de nosso mundo, os Crosseds representam cada terrorista, pedófilo, estuprador, assassino e pais negligentes que existem por ai, como se atos parecidos não tivessem acontecido em Ruanda, Congo, Sérvia, Vietnã ou em guerras passadas.
Ao ler Crossed, não espere um final feliz, mas sim uma familiar violência que o mundo insiste em velar.







![[Update] O mundo acaba daqui um ano! Escreva sobre isso!](http://www.documentarios.org/images/pequenas/2012_apocalipse.gif)












Críticas sociais são ótimas, só que eu achei o material muito explícito sexualmente…
Por essa razão, não leria.
Eu quero, achei lindo e vou ler *-*
O engraçado é que conforme a história vai se desenrolando, as cenas de impacto vão diminuíndo, deixando mais a tona o destino dos protagonistas.
As escolhas e revelações que eles fazem são tão impactantes quanto a violência presente nas primeiras edições.
Quem quiser os scans, entra em contato comigo. Agradeço ao Zumblorg e prometo que na próxima vez eu saio de perto da Rule 34
Cara, com certeza essa será uma leitura que eu vou atrás! Ainda não conhecia, mas me interessei muito por esse quê de impacto e falta de cuidados com a impressão forte que pode passar…
Foi realmente uma ótima resenha! Quando ler, voltarei para comentar minhas impressões! =D
#tenso
eu costumo ter vergonhosas crises emos quando envolvem tortura de criancinha… então @Synthzoid me diz q paginas eu tenho q pular que eu to doida pra ler o resto o/
Cara, achei muito foda e eu vou querer os scans! Já faz um tempinho que não leio alguma HQ interessante.
fiquei bem curioso sobre o quadrinho.
vou procurar mais sobre, sem contar que os desenhos sao bem realista *-*
abz
Bom, respondendo a @barangurte as cenas envolvendo violência contra criança são bem frequentes, não dá mensurar, em pelo menos quatro edições alguma coisa acontece.
O problema, é que no Crossed, isso não cai na categoria "gratuíto" (ou seja, a maneira como nós insistismo em encarar a violência), dentro da história, existe um argumento.
Reiterando, eu tenho as 10 edições comigo, quem quiser, mandar DM via Twitter.
Abraços.
Cara, com certeza essa será uma leitura que eu vou atrás! Ainda não conhecia, mas me interessei muito por esse quê de impacto e falta de cuidados com a impressão forte que pode passar…
Foi realmente uma ótima resenha! Quando ler, voltarei para comentar minhas impressões! =D
Amy,
Fico no aguardo de seu feedback
Cara, a melhor crítica que já li sobre Crossed, se não tivesse lido as séries estaria correndo atrás.
Na sequência(Crossed: Family Values) dá para ver bem o que você quer dizer, quando a história começa com uma família de fazendeiros, onde o pai é um abusador de uma das filhas, até que os crosseds aparecem.
Não deixem de acompanhar a nova sequência Crossed: Psicopath até o momento na 4º episódio.