Por que raios comemos pipoca no cinema?

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Um dos meus traumas adolescência foi a falta de grana pra comprar pipoca no cinema. Com os combos aumentando de preço e o bolso cada vez mais vazio, o jeito era reprimir o desejo e ignorar o cheiro tentador. Talvez por isso que, ao embarcar na fase adulta, quando me permito, como pipoca feito louco. A mão vai cheia à boca, que mastiga o milho requintado com voracidade. Uma realização! Foi numa dessas permissões que, assistindo a um filme francês com uma proposta diferente, no qual a trilha sonora era composta por faixas como o som do vento ou o som da água, um senhor amargo berra:

– Mas que barulho insuportável! Se quer comer pipoca, fica em casa assistindo sessão da tarde.

Assustado, suspendi minha realizadora mastigação e refleti sobre o fato de ser ignorante por comer pipoca no cinema. Ou talvez por ser um trauma de adolescência. Ou por ter um paladar regredido. Ou ser suscetível às bombonieres dos cinemas. Mas acabei não chegando a uma conclusão muito fundamentada. Mastiguei mais devagar e mandei o senhor pros diabos. Porém, entretanto, contudo, ao sair do cinema, fiquei com uma pulga atrás da orelha: por que raios comemos pipoca no cinema? Recorri então a quem todos recorrem quando a vida lhes apresenta uma questão existencial: o google.

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Para a lista de coisa bizarras – leia curiosas – que acontecem na vida, descobri um livro que conta a história da pipoca nos Estados Unidos. E, como o google é divinamente completo, encontrei uma matéria que menciona os pontos mais importantes do livro. Portanto, agora me sinto pseudo qualificado para falar das origens da pipoca pra vocês.

Por incrível que pareça, a pipoca era famosa por aqui mesmo, pela América Latina. Aproveitando a variedade de milhos latinos, era no Chile que o salgadinho fazia sucesso. Os americanos, tradicionais num bom recalque, curtiram a ideia e logo a trouxeram para feiras de rua e outras festividades públicas. Fácil de preparar, distribuir e de comer, a pipoca se tornou absurdamente popular. O burburinho foi tanto que, em 1848, o salgadinho entrou para o dicionário de língua inglesa.

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Com o início dos cinemas de rua, os vendedores de pipoca viram uma ótima oportunidade de fazer ainda mais dinheiro. Os cinemas, contudo, não gostaram muito da ideia. A pipoca era vista como um alimento muito popular, o que não combinaria com a clientela que eles esperavam que frequentasse os elegantes movie theaters. Mas, como a vontade era muita – de comer e vender pipoca – foi se comprando na rua, levando escondido pra dentro do filme, e logo, alguém teve que ceder. E, claro, não foi a pipoca. Os cinemas começaram a permitir que o alimento fosse vendido no lobby e, mais tarde, criaram as bombonieres . Ninguém podia conter o estourar do milho. Hoje em dia, mesmo nos cinemas mais luxuosos dos Estados Unidos, a pipoca não pode faltar.

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Quando as bombonieres começaram, tinha até propaganda tosca. Vejam só:
Let’s all go to the lobby – popcorn commerical

Pra ilustrar como nos sentimos quanto ao milho preso no dente:
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Fonte: http://www.smithsonianmag.com/arts-culture/why-do-we-eat-popcorn-at-the-movies-475063/?no-ist

 

Resenhando: Magia ao Luar

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Voltando mais uma vez à França, agora definitivamente no passado – novamente pelos anos 20 -, Woody Allen narra, entre linhas talvez tortas e, indubitavelmente, não das suas mais bem traçadas, a irracionalidade do amor.

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Stanley Crawford (Colin Firth) é um grande mágico, famoso por criar fabulosos truques e desmascarar farsantes. Sua capacidade de provar que tudo é falso e fingido o torna extremamente cético e insuportavelmente ranzinza. Surge, então, Howard (Simon McBurney), um velho amigo que chama Stanley para revelar os supostos truques de uma curiosa e encantadora médium que está convencendo de seu talento abastadas famílias da Riviera Francesa. A médium é Sophie Baker, uma jovem delicada e doce, que desempenha muito bem seu papel místico e misterioso. Ela acaba confundindo Stanley. Em questão de dias, ele se vê fortemente questionado, impressionado e até mesmo deslumbrado. Qual seria a grande explicação – ou segredo – para Sophie Baker?

Woody, que é sempre marcado por extensas e proporcionalmente atraentes e divertidas cenas de puro diálogo, se mostra um tanto fraco. As discussões são, em sua maioria, pouquíssimo aguçantes. Acaba sendo até frustrante ver atores que interpretam bem seus papéis e são excelentes, de um forma geral, tão apagados. Vi muito pouco sendo aproveitado, o que é ainda mais chamativo pelo fato da proposta do filme ser interessantíssima e imensamente rica. Não faz do longa ruim, mas um tanto inexpressivo. A assinatura do diretor e roteirista está toda ali, explícita, mas um tanto fraca, principalmente em comparação com outras obras – em específico as últimas, às quais não faltaram elogios e prêmios.

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Por fim, vale a reflexão proposta – que não deixa de ser algo insistentemente mencionado em outros filmes de Woody. O amor, em seu sentido talvez mais puro e ideal – o que não impede de ser real -, é ilógico, desvantajoso e – clichê, mas por que não? – cego. Não há coração que não se derreta diante do tradicional e bem feito romance.

Trailer:

Trailer: “Magia ao Luar”

Resenhando: O Grande Hotel Budapeste

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Com um extenso elenco de peso e cartazes de uma arte impecável, O Grande Hotel Budapeste é um filme que, já de início, causa uma impressão. Minhas expectativas eram altas, mas foram logo reprimidas por comentários do tipo “Não é nada genial”. Assisti ao filme com um medo de irrefreável de me decepcionar e reproduzir as críticas que tanto ouvia. De fato, O Grande Hotel Budapeste “não é nada genial”. E nem haveria de ser. Engraçado, original, inusitado e belamente executado, o longa cumpre a sua proposta com tranquilidade, divertindo seu público sem deixar ninguém insatisfeito.

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O Grande Hotel Budapeste é um lugar que já teve sua grandeza. Atualmente, conforta poucos hóspedes e mantém ainda menos luxos. Seu dono é uma misteriosa figura, o senhor Zero Moustafa (F. Murray Abraham) que, ao invés de ocupar um dos quartos mais caros, se contenta em se hospedar num quarto de empregados. Um escritor (Jude Law), hóspede do hotel, se interessa especialmente pela história do reservado dono do estabelecimento. Ao abordá-lo, ele ouvirá uma fantástica narrativa dos tempos áureos do Grande Budapeste.

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Voltamos ao ano de 1932, quando conhecemos, então, M. Gustave (Ralph Fiennes) um excelente concierge, amante de poesia e companheiro de senhoras de idade bem avançada. Zero Moustafa (Tony Revolori), conhecido somente como Zero em sua juventude, está começando a trabalhar no hotel como um mensageiro, o chamado Lobby boy, e por isso acompanha Gustave de um lado para o outro. Uma das senhoras-hóspedes com quem o concierge se relaciona, Madame D. (Tilda Swinton) morre inesperadamente. Em respeito à relação que mantinham, ela deixa para Gustave, em seu testamento, uma valiosa pintura de um menino com uma maçã. Os herdeiros da fortuna não ficam nada contentes e, de uma hora para outra, Gustave é injustamente acusado de ter assassinado a senhora. Inicia-se, portanto, uma perseguição e fuga constantes pela gélida e romantizada República da Zubrowka, uma mistura de República Tcheca e Alemanha.

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A história é narrada de uma forma muito sagaz e agitada, sempre com espaço para piadas inteligentes e de humor negro. O filme conta com um ótimo elenco e atuações impagáveis. Destaco Willem Dafoe, que está extremamente bem na pele de um matador de aluguel, Tony Revolori- o jovem Zero -, um novato que consegue chamar a atenção mesmo ao lado da atuação fantástica de Ralph Fiennes na pele do polido e charmoso concierge. Todos os outros fazem um maravilhoso trabalho, com papéis que combinam muito com seu tipo físico e profissional, o que ajuda o espectador a embarcar ainda mais fundo na história, a qual conta com uma narrativa bem particular e inusitada. A fotografia é belíssima, compondo muito bem o densenrolar do filme. O diretor, Wes Anderson, diz ter se inspirado em diferentes romances de Stefan Sweig para escrever o roteiro, além do protagonista, M. Gustave, que seria baseado no próprio escritor austríaco.

O Grande Hotel Budapeste propõe uma viagem com os personagens principais por uma história com seu tom de ficção e poucas pinceladas de realidade, uma mescla que diverte ao mesmo tempo que traz algumas questões. Tudo é muito ágil e bem enganchado, o que prende bastante o espectador. Nada de único, genial ou alternativo é endereçado, mas logo vemos que esse não é o objetivo. Divertido e surpreendente ao seu próprio modo, o longa cumpre seu papel muito bem. Uma ótima comédia de inverno.

Link do IMDB:http://www.imdb.com/title/tt2278388/

Trailer: O Grande Hotel Budapeste Trailer Legendado

Como ser viciado em livros e não ir à falência

Eu sou uma pessoa pobre de gostos caros e total descontrole financeiro – mesmo com o apoio constante do meu consultor financeiro pessoal sr. Wakko, logo eu estou sempre fodida.

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Mas eu sempre tenho livros novos para ler, e cerveja boa para beber. E como vocês não pediram, não esperaram e não estão nem aí, vou mostrar formas de se conseguir manter seu vício em leitura sem ir para o SPC.

… não, eu não vou fazer um post sobre como conseguir álcool sem prejudicar sua conta bancária. Tenho peitos, logo vocês já podem inferir como faço isso.

PARA DE ME JULGAR.

Sebos

A primeira opção de livro barato é o sebo, o antigo acervo alfarrábios que fica numa portinha tímida na sua cidade. É um ótimo lugar pra comprar livros mais desconhecidos – adoro andar pelas prateleiras empoeiradas *oi rinite* a procura de livros diferentes e bater aquele papo com o dono do lugar que sabe-se lá como sabe onde TUDO está naquele caos bem letrado. Mas tenham cuidado: sebos costumam ser bem careiros para os livros mais populares… então pesquise, sempre.

Sebos virtuais

A palavra de ordem é comodidade. Você tem vários títulos e vários autores e vários vendedores a disposição e os preços são muito atrativos e você recebe na porta de casa. Aqui também vale a regra do mais popular/mais raro = mais caro, só que volta e meia existem promoções muito loucas. Comprei vários títulos sobre dianética numa promoção e paguei 10 reais em tudo sem frete – não li nada, não acredito em dianética, maldita promoção frete grátis e tudo a R$ 3,00!

Os sebos virtuais que indico são:
http://www.estantevirtual.com.br/

http://www.sebosonline.com/

http://www.livronauta.com.br/

Feiras do rolo/Brechós/ Bazares beneficentes

Não sei se isso tem em todas as cidades, mas aqui na roça é muito comum a feira popular conhecida como “feira do rolo” – um espaço livre de comércio de… bem… de tudo. Vendem até galinha viva. O ambiente é bem caótico e é preciso ter olho com um bocado de sorte.

Meu pai comprou um Saramago despretensiosamente esses dia e acabou sendo uma 1ª edição autografada. Arram!

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Brechós e bazares tem a cada esquina, só basta você procurar. Procuro sempre os que apoiam alguma causa social – o que eu mais frequento remete todas os lucros para cuidar de cães e gatos abandonados <3 E a pechincha come solta, se você não chorar pelo preço os vendedores chegam a ficar ofendidos!

Também é ótimo para comprar vinil!!!!

Responda pesquisas

O MVMVMVMVMVMVMVMVMVMVMVMVMV Vinícius já mostrou pra vocês faz tempo, mas a dica continua válida: vários sites de pesquisas online remuneram respondentes com vales que você pode trocar por livros. Exige um pouco de paciência, mas tem sido o meu Santo Graal dos livros caros.

Tenho que retirar um Eram os Deuses Astronautas essa semana, e paguei absolutamente nada por ele. Nadinha.

Grupos de trocas

Sabe aquele grupo insuportável do whats que te manda milhões de notificações o dia inteiro ou o Não Faça Amor Faça A Barba ou algo assim no facebook? Então, grupos podem servir para muito mais do que disseminar vídeos de putaria e imagens que todo mundo já compartilhou. Faça um grupo com seus amigos booklovers e troquem livros de interesse comum.

E vídeos de putaria também, porque não!?

Diga pra todo mundo que você gosta de ler

Pra sua mãe, pro seu pai, pra titita e pra vovó. Diga que quer livros de aniversário, coloque na lista de amigo secreto na firma, peça livros pro seu amô no dia dos namorados. É incrível como eu ando com meio quilo de papel encadernado todos os dias e as pessoas ainda me surpreendem com um ‘nossa, mas você gosta de ler’. Não… não gosto. É que estou pagando promessa. Anyway… livros são presentes ótimos e incrivelmente fácil de trocar.

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Brincadeiras a parte, o que mais me impressiona nos livros é que – pra mim – eles são vivos. Eles transitam entre as pessoas, eles dividem informações, eles devem ser emprestados, levados na bolsa, bisbilhotados por cima do ombro de alguém que está na frente de você numa fila qualquer. Ponha seus livros em movimento! Pegue alguns dos seus livros que você não quer mais e dê de presente, doe para uma instituição ou venda .

Desambiguação: Palestina vs. Israel – a origem

Eu disse que eu voltava!!!
– Isso foi a dois meses, Jenny…
Vai se foder!

Arram. Não me olhem assim, moscas que ainda habitam este domínio. Voltei para postar e com layout novo – tá meio torto ainda, mas estamos caminhando.

Anyway, estamos aqui reunidos trazendo dos mortos a saudosa e rara classe posts um pouco menos inúteis que o resto que Diego outrora dividia conosco: a desambiguação.

Os vídeos estão em inglês mas são de compreensão simples e você pode ativar a legenda. Aproveita e treina o ‘the book is on the table’.

O conflito Israel x Palestina figura a mídia desde… bem… desde sempre. Entretanto, devido aos tristes acontecimentos deste final de semana eu resolvi pensar um pouquinho sobre os conflitos no oriente médio.

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E percebi que não sei porra nenhuma sobre isso.
Então resolvi pesquisar um pouquinho sobre os conflitos no oriente médio.

Que puta puteiro do caralho, minha gente!

Antes de tentar compreender a atual conjuntura de conflito Israel/Palestina e apontar culpados, é preciso perceber que há um enorme background de guerras por território na região datada de períodos anteriores às narrativas bíblicas (não acredito nesse livro, mas acho que serve como um bom documento histórico…).

Muitos filmes e livros já exploraram a questão e, dentre os que já tive contato, o vídeo abaixo é o mais rápido e didático.

This Land Is Mine from Nina Paley on Vimeo.

Você pode consultar o ‘quem matou quem’ se não reconhecer as roupinhas na página da autora. Poemos identificar o homens das cavernas, cananeus, egípcios, assírios, israelitas, babilônicos, gregos, ptolemaicos, selêucidas, hebreus, macabeus, romanos, bizantinos, árabes califas, cruzados, mamelucos do Egito, turcos otomanos, árabes, britânicos, palestinos, sionistas, Hamas/Hezbollah, Estado de Israel, guerrilhas palestinas e, por último, o anjo da morte.

A música de Andy Williams – The Exodus Song é o plano de fundo para o vídeo e aponta muito a motriz – dos locais ao menos – para se manter em um ambiente de tamanha hostilidade e enfrentar diariamente guerras na soleira de suas portas.

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Logo, o buraco é bem mais embaixo que a fundação compulsória do Estado de Israel em 48. O vídeo abaixo (um tiquinho tendencioso, é verdade) mostra um pouco da realidade atual.

Sempre escuto um “porque eles não vão embora dalí?” como se fosse simples abandonar sua família, seu lar, o berço de sua religião, onde estão seus iguais, seus bens, o local que você conhece, e partir para um novo local.

Mesmo que cenas como as abaixo, que pra gente parecem de uma irreal produção brucutu dos anos 80, façam parte da realidade do povo da região.

Ainda não tenho conhecimento pra traçar uma rede de conspirações e interesses políticos ampla, quiça apontar um culpado ou uma solução. Tenho só a esperança que com a maior divulgação do conflito (UM VIVA PARA A INTERNET) e compreensão nos tragam um caminho.

Fontes:

http://www.theclinic.cl/

http://blog.ninapaley.com/

http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/geopolitica/entenda-a-questao-arabe-israelense.htm

Para entender o conflito Israel x Palestina:

http://www.filmsforaction.org/articles/the_top_10_documentaries_about_the_israelpalestine_conflict/